Hoje, decidi assistir ao filme sobre Elis Regina, lançado em 2016 e protagonizado pela talentosa Andréia Horta. Confesso que esperava um mergulho profundo na trajetória pessoal e artística da cantora. No entanto, percebi que a narrativa se estendeu muito mais sobre o contexto do regime militar do que sobre a própria Elis.
O longa-metragem apresenta a história começando no Rio de Janeiro, mostrando uma jovem Elis tentando a sorte em qualquer lugar, aceitando tudo o que aparecia até que um bar a destacou. O filme marca esse momento como o ponto de partida. Mas nós, gaúchos, sabemos que a verdadeira gênese de sua carreira aconteceu no Club do Guri, no antigo Cinema Castelo, em Porto Alegre — um espaço que, infelizmente, não existe mais hoje em dia.
A trama segue a ascensão da cantora que conquistou o mundo, chegando a cantar na França. No entanto, a tensão política da época é inevitável. O filme aborda o episódio em que Elis, em solo francês, criticou os militares. De volta ao Brasil, ela foi obrigada a se apresentar para as autoridades, o que gerou uma reação intensa: jornalistas e o próprio povo “caíram de pau” sobre a cantora, julgando sua atitude.
Refletindo sobre esse período, percebo que há uma revisão histórica em curso. Muitos acreditavam que apenas a direita lutava contra e censurava a população naquela época. Mas até hoje ninguém provou isso categoricamente, pois o cenário era complexo e envolvia uma mistura de interesses dos dois lados.
Curiosamente, o tema da censura ressoa até hoje, mas sob outras formas. Atualmente, vemos muita censura vinda da esquerda política. Isso é visível em veículos de comunicação que ainda não foram corrompidos pelo sistema, onde pessoas tentam silenciar jornais que se propõem a ser imparciais (“sem lado”).
Para quem se interessou por essa história de resistência e talento, o filme está disponível na Netflix e no Prime Vídeo.






