Classificar para as oitavas de final da Copa do Brasil era obrigação. E o Grêmio fez isso com autoridade no placar: 5×0 no agregado diante do Confiança, vencendo em Porto Alegre e novamente fora de casa. Mas o futebol não se resume apenas ao resultado, e é justamente aí que mora a preocupação do torcedor gremista.
O 3×0 conquistado ontem mais uma vez esconde uma atuação distante do que se espera de um time do tamanho do Grêmio. A diferença financeira, técnica e estrutural entre os clubes naturalmente colocava o Tricolor como amplo favorito. Mesmo vivendo uma temporada ruim, o elenco gremista ainda possui jogadores muito superiores aos do Confiança. A classificação veio porque era obrigação acontecer. O problema é a forma.
Em vários momentos da partida, o Grêmio voltou a apresentar os mesmos defeitos que vêm se tornando rotina em 2026: falta de controle do jogo, pouca intensidade, dificuldades para se impor e uma atuação coletiva sem confiança. Não foi um massacre do adversário, mas incomoda ver equipes tecnicamente inferiores conseguindo trocar passes, ter posse de bola e encontrar espaços diante de um Grêmio que parece incapaz de dominar uma partida.
O roteiro já havia se repetido contra o Deportivo Riestra, da Argentina. E isso começa a acender um alerta sério. O Grêmio vence porque ainda tem qualidade individual maior que muitos adversários, mas o desempenho coletivo continua pobre. Não existe consistência. Não existe identidade. E o mais preocupante: não existe evolução visível.
No Campeonato Brasileiro, a situação já começa a ficar desconfortável. O time está dentro da zona de rebaixamento e, sinceramente, o futebol apresentado em campo começa a justificar essa preocupação. Até pouco tempo parecia exagero falar em luta contra a parte de baixo da tabela, mas hoje essa hipótese já não pode mais ser descartada.
A sequência que vem pela frente é pesada: Bahia fora de casa, Santos e Corinthians na Arena, além das decisões pela Sul-Americana contra Palestino e City Torque. Jogos que exigem competitividade, personalidade e organização. Justamente aquilo que o Grêmio ainda não conseguiu mostrar em 2026.
A direção aposta na parada para a Copa do Mundo como momento de reconstrução para Luís Castro encontrar um time ideal e dar identidade à equipe. Mas a pergunta que começa a surgir é inevitável: será que o treinador resiste até lá?
O torcedor gremista quer acreditar em dias melhores. Quer enxergar alguma luz no fim do túnel. Mas hoje, olhando apenas para o campo, o maior adversário do Grêmio parece ser ele mesmo.
Foto: Lucas Uebel






