O acrônimo NOLT, do inglês New Older Living Trend, qualifica pessoas 60+, que buscam viver a maturidade de forma ativa, sem ficar presas ao lugar do “aposentado em tudo”, do velhinho ou da velhinha que apenas faz tricô ou joga dominó na Praça da Alfândega.
Na contemporaneidade, o processo de envelhecimento vem sendo observado sob novos olhares. Na mídia e nas redes sociais, encontramos questionamentos a respeito do etarismo, justamente em um país que já não é mais tão jovem assim. Porém, quais são os recursos necessários para envelhecer com qualidade de vida, como observamos em alguns ícones famosos?
A moderna gerontologia, além de tratar sintomas, vem buscando atuar nos processos vitais do envelhecimento. Temos a medicina regenerativa celular, com reprogramação, terapias genéticas e células-tronco, além de cuidados com a saúde cerebral e cardiovascular.
Há, ainda, uma gama variada de procedimentos estéticos que demandam manutenções anuais, além das tradicionais cirurgias plásticas, que são mais onerosas. A inteligência artificial também vem acelerando a descoberta de novos fármacos.
Nessa perspectiva, dietas e suplementações nutricionais avançam em prol da longevidade saudável.
Temos desafios apontados por Erik Erikson, 1902-1994, estudioso da psicologia do desenvolvimento, nascido em Frankfurt, que conceitualizou a fase dos 40 aos 60 anos como “Generatividade x Estagnação”. Nessa etapa, fazemos uma reflexão sobre o que transmitimos na educação dos filhos, sobre o engajamento em causas mais nobres, sobre a satisfação profissional e sobre a capacidade de agir sem grandes paixões ou improvisos. Frustrações ou insatisfações podem implicar estagnação ou autossabotagem.
Para Erikson, a fase dos 60 anos ou mais é marcada pelo balanço dos legados construídos ao longo da história de vida. Esse processo pode ser vivido com doçura, quando há gratidão, ou com sofrimento, quando predominam arrependimentos. Porém, a insatisfação, a revolta e a indiferença podem resultar em amargura diante do fim da existência.
Essas últimas fases, numa perspectiva NOLT, não precisam, fatalmente, ser uma derrocada melancólica. Ao contrário: podem ser vividas com suporte, apoio, cuidados de saúde integral, amparo afetivo e socialização.
A psicanálise lacaniana trabalha com o lugar que damos ao nosso ego corporal, a partir da reavaliação permanente do “Estádio do Espelho” e do que foi adquirido em análise. Nesse processo, aprende-se a lidar com as variadas castrações, como o fim da juventude, com seu viço, sua beleza e sua energia. Então, resta realocar a libido para aquilo que ainda é possível, que traga satisfação, prazer sexual e sustente nossa vontade de viver, sem nos melancolizarmos diante desses lutos — inclusive o luto pelos seres que vão partindo cada vez mais.
Quando temos representações que unem beleza e saúde, como Bruna Lombardi, acreditamos que é possível envelhecer com qualidade de vida. Porém, a indústria cosmética, sozinha, é um engodo, se não tivermos esse elenco de cuidados, que requerem investimentos muitas vezes fora do alcance da maioria da população.
Conforme o IBGE, observa-se um forte envelhecimento populacional no Brasil. A tendência é que, em 45 anos, aproximadamente 40% da população tenha mais de 60 anos. O desafio do governo passa por investir em políticas públicas para além da Farmácia Popular, com um SUS capaz de atender às demandas de saúde integral dos idosos.
Particularmente, digo que meus “procedimentos” passam por satisfação profissional, alimentação mais natural e saudável, meditação, exercícios físicos, 10 anos de análise pessoal e espiritualidade. E, pior do que as rugas, são as rusgas. Assim, faço parte dos que salvam seu narcisismo, considerando-se jovial e longevo: NOLT, um analista que se capacita a escutar quem assim quer ser.






