O Grêmio fora de casa é um deserto de ideias

 

A gente tenta manter a racionalidade, mas o futebol é mestre em testar nossa sanidade. Eu continuo aqui, firme na trincheira de que interromper o trabalho agora é um erro. Sou contra a cultura de “moer” treinadores a cada tropeço, pois sei que o custo de recomeçar do zero é alto demais tanto para o cofre quanto para o planejamento. No fundo, eu ainda acredito que Luís Castro pode dar certo, que sua metodologia tem um norte e que ele pode ser o arquiteto de um Grêmio moderno.

Mas, sendo bem sincero? Às vezes, no silêncio do pós-jogo, me pergunto se não estou apenas  “me iludindo.”

A realidade é um soco no estômago. A postura do Grêmio fora de casa não é apenas ruim; é uma ode à mediocridade. Assistir ao time longe da Arena tem sido um exercício de masoquismo. São dois pontos em 21 possíveis. É um aproveitamento de lanterna, de time que aceita o domínio do adversário com uma passividade que dói na alma do torcedor. No Mineirão, contra o Cruzeiro, não vimos um time lutando por sua história, vimos um coletivo sem brio, taticamente engessado e mentalmente frágil.

O que mais assusta é a teimosia. Castro se abraçou a um modelo de jogo que, na teoria, deveria blindar a defesa, mas, na prática, só serve para amordaçar nossa criatividade. O tal tripé de volantes virou um muro que só nós mesmos não conseguimos atravessar. Enquanto isso, o Carlos Vinícius vaga pelo campo como um náufrago, esperando uma mensagem em uma garrafa que nunca chega. Ficamos com o pior dos dois mundos: um ataque inoperante e uma defesa que continua batendo cabeça.

O treinador prometeu mudanças. “Vamos mudar”, ele disse. O problema é que o tempo, esse senhor implacável, não espera por epifanias tardias. Se essa mudança não vier no próximo apito inicial seja na peça, na postura ou na leitura de jogo o discurso vai perder o sentido.

Eu quero estar certo sobre a continuidade, mas os números estão gritando que eu posso estar errado. O Grêmio flerta com o Z-4 e o Brasileirão é um terreno baldio para quem vive de promessas. Ou o Castro transforma sua convicção em pontos, ou a minha esperança vai acabar sendo engolida pela realidade fria da tabela. É hora de mostrar serviço, porque a paciência já virou saudade.

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Lucas Elgui
Lucas Elguihttp://realnews.com.br
Jornalista e cronista esportivo, com olhar crítico e sensível sobre o futebol. Acumula passagens por grandes portais como Terra e Futebol BR, sempre trazendo análises diretas, opinião forte e conexão com o torcedor.

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