O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, acusou os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), de interferir no processo eleitoral de 2026.
As declarações foram feitas nesta quarta-feira (15), durante participação no Flow Podcast. Na entrevista, Flávio afirmou que os magistrados estariam criando precedentes para permitir que a Primeira Turma do Supremo analise questões que, na avaliação dele, deveriam ser encaminhadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O senador não apresentou provas de uma articulação entre os ministros. As afirmações representam a interpretação política do pré-candidato sobre decisões adotadas pelo colegiado.
“Eles estão fazendo uma articulação para que essa Primeira Turma do Supremo seja uma espécie de bypass do Tribunal Superior Eleitoral durante as eleições”, declarou.
Segundo Flávio, partidos poderiam recorrer diretamente à Primeira Turma do STF para pedir medidas relacionadas a perfis nas redes sociais, punições ou suspensões, sem acionar inicialmente a Justiça Eleitoral.
Na avaliação do parlamentar, esse tipo de pedido poderia ser apresentado dentro de investigações conduzidas no Supremo, como o inquérito das fake news. Ele acusou os ministros de tentarem fazer com que o colegiado exerça atribuições do TSE.
Primeira Turma tem quatro ministros
Atualmente, a Primeira Turma do STF é presidida por Flávio Dino e também conta com Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin. O colegiado está com quatro integrantes em razão de uma vaga aberta na Corte.
Entre os casos mencionados por Flávio está a condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. Em junho de 2026, a Primeira Turma fixou pena de quatro anos e dois meses de prisão, em regime inicial semiaberto, pelo crime de coação no curso do processo.
De acordo com o STF, Eduardo atuou para tentar interferir no processo relacionado à tentativa de golpe de Estado e intimidar a Corte durante o julgamento que resultou na condenação de Jair Bolsonaro. Flávio apresentou o caso como um dos precedentes que, segundo ele, estariam sendo construídos pelos ministros.
Senador critica suspensão das visitas ao pai
Durante o podcast, Flávio também criticou a decisão de Alexandre de Moraes que suspendeu, por 90 dias, as visitas dele ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O senador classificou a medida como uma tentativa de prejudicar sua pré-campanha. Segundo ele, o período da restrição avança até depois do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro de 2026.
Ao comentar a decisão, Flávio comparou a situação do pai à do rapper Oruam, filho de Marcinho VP, apontado como uma das lideranças do Comando Vermelho.
“Se o Oruam quiser visitar o Marcinho VP na cadeia, ele vai. Mas o Bolsonaro, que não fez nada, é inocente, tem essa restrição”, afirmou.
Na sequência, o pré-candidato classificou a decisão como uma “interferência clássica” e “descarada” no processo eleitoral. Para o senador, a suspensão dificultaria sua articulação política e manteria Jair Bolsonaro afastado do debate público durante a campanha.
A inocência atribuída ao ex-presidente corresponde à avaliação de Flávio. Jair Bolsonaro foi condenado em 2025 a 27 anos e três meses de prisão por participação na trama golpista relacionada ao resultado das eleições de 2022.
Divulgação de carta motivou decisão
Moraes suspendeu as visitas na segunda-feira (13), após Flávio publicar nas redes sociais uma carta manuscrita por Jair Bolsonaro. O documento defendia a união de apoiadores em torno da pré-candidatura do senador.
O ex-presidente está proibido de utilizar redes sociais diretamente ou por intermédio de terceiros. Na decisão, Moraes considerou que Flávio usou a visita para obter e divulgar o conteúdo, o que teria desrespeitado as condições impostas a Bolsonaro.
O ministro também concedeu prazo de 48 horas para que a defesa do ex-presidente esclarecesse se ele tinha conhecimento prévio da publicação. Além disso, determinou o envio do caso ao Ministério Público Eleitoral para análise de uma possível propaganda eleitoral antecipada.
Durante a entrevista, Flávio classificou a suspensão como uma “desumanidade”. O senador argumentou que a medida impede o contato entre pai e filho e também prejudica sua atuação como advogado constituído do ex-presidente.
A defesa de Jair Bolsonaro informou posteriormente ao STF que o ex-presidente não sabia que a carta seria divulgada. Segundo os advogados, não houve orientação, acordo ou combinação prévia com Flávio para a publicação do documento.





