Os Estados Unidos confirmaram a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros vendidos ao mercado norte-americano. A decisão foi anunciada na quarta-feira (15) pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, e entrará em vigor em 22 de julho.
A cobrança alcançará as mercadorias que não estiverem na lista de exceções definida pelo governo americano. O documento final manteve produtos anteriormente poupados e ampliou o grupo de itens livres da sobretaxa. Entre as novas exceções estão ferro-gusa, café solúvel sem sabor, mel orgânico, determinados produtos farmacêuticos, itens de madeira, pescados e resíduos de ferro e aço.
A medida encerra uma investigação iniciada em 15 de julho de 2025 com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. O mecanismo permite ao governo americano adotar respostas comerciais contra práticas consideradas injustificáveis, discriminatórias ou prejudiciais às empresas do país.
Ao concluir a apuração, o USTR afirmou que determinadas políticas brasileiras prejudicam ou restringem o comércio dos Estados Unidos. O órgão citou questões relacionadas ao comércio digital, aos meios eletrônicos de pagamento, às tarifas preferenciais, ao combate à corrupção, à propriedade intelectual, ao mercado de etanol e ao desmatamento ilegal. O governo brasileiro contesta essas alegações.
Antes da decisão final, o USTR recebeu mais de 360 manifestações por escrito. O órgão também realizou audiências públicas nos dias 6 e 7 de julho, em Washington, com a participação de 77 testemunhas. Representantes de setores empresariais brasileiros e americanos defenderam mudanças na proposta e a retirada de produtos da lista de mercadorias sujeitas à tarifa.
Brasil e Estados Unidos mantiveram uma série de reuniões antes do anúncio. O quinto encontro de alto nível ocorreu na terça-feira (14), com a participação de integrantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, do Ministério das Relações Exteriores, da Presidência da República e do USTR.
Em nota, o governo brasileiro classificou a recomendação de tarifas como injusta e afirmou que os argumentos apresentados na investigação não justificavam a sobretaxa. O Brasil também declarou que a medida dificultaria a construção de um acordo bilateral considerado adequado para os dois países.
As negociações começaram após um encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump na Casa Branca, em maio. Na ocasião, os dois governos decidiram criar um grupo de trabalho para tratar das divergências comerciais.
Apesar das conversas, representantes brasileiros relataram que não houve espaço suficiente para um acordo antes do prazo final. O USTR, por sua vez, afirmou que as negociações não resolveram as preocupações apresentadas pelos Estados Unidos, mas declarou que o diálogo com o Brasil poderá continuar.
A investigação foi aberta em julho de 2025, no mesmo período em que Trump criticava o processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em carta enviada naquele ano, o presidente americano classificou o julgamento como uma “caça às bruxas” e pediu que o processo fosse encerrado.
Com a confirmação da tarifa, integrantes do governo brasileiro avaliam recomendar a Lula a retomada das medidas previstas na Lei da Reciprocidade Econômica. O mecanismo permite ao Brasil responder a ações comerciais unilaterais adotadas por outros países.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o processo de reciprocidade chegou a ser iniciado anteriormente, mas teve a tramitação suspensa. Segundo ele, o governo poderá retomá-lo depois de consultar o presidente Lula. Durigan ocupa o Ministério da Fazenda desde março de 2026.





