A Ancine abriu um processo administrativo contra a produtora Go Up Entertainment, porque eles gravaram a cinebiografia do Bolsonaro aqui no Brasil sem avisar, pois quando uma produção estrangeira vem filmar aqui no Brasil, eles têm que obrigatoriamente comunicar a agência, o que não rolou nesse caso. A Ancine ainda tentou contato duas vezes para solicitar explicações, mas ficou no vácuo. Agora a situação escalou para um processo, porque, pelo visto, não dá para chegar filmando em território brasileiro sem dar satisfação para o órgão regulador, o que é contra as regras.
O filme, que é uma cinebiografia do Jair Bolsonaro, traz o ator americano Jim Caviezel (o de “A Paixão de Cristo”) como protagonista e a direção fica por conta do Cyrus Nowrasteh. Mas o problema é maior: o financiamento da obra veio do banqueiro Daniel Vorcaro que, aliás, está preso por acusações de fraude financeira e, segundo as informações, ele teria negociado diretamente com o senador Flávio Bolsonaro. Pelo visto, esse bastidor está quase tão movimentado quanto o próprio filme.
Gravação irregular de “Dark Horse”
A polêmica envolvendo as gravações de “Dark Horse” no Brasil levanta uma questão importante sobre soberania e respeito às regras locais. Quando uma produção estrangeira chega ao país, a exigência de notificação prévia à Ancine não é apenas burocracia, é um mecanismo fundamental para garantir que a atividade audiovisual seja monitorada e esteja em conformidade com as leis brasileiras.
O argumento de que “o cinema não deve ter fronteiras” é bonito, mas na prática, produções internacionais que ignoram os trâmites legais acabam gerando uma série de desequilíbrios. Ao não notificar o órgão regulador, a produção evita a transparência sobre o uso de recursos, a contratação de profissionais locais e, principalmente, o respeito às normas de produção que protegem o nosso mercado.
O cinema é uma indústria poderosa que movimenta milhões, e o Brasil é um cenário cada vez mais buscado. Se permitirmos que produtoras estrangeiras ignorem as regras básicas, criamos um precedente perigoso onde o nosso território é tratado apenas como um “set de filmagem” gratuito e sem controle, em vez de um parceiro de uma indústria cinematográfica séria.
Esperamos que o caso de “Dark Horse” sirva de alerta. Não se trata de fechar as portas para o investimento estrangeiro, muito pelo contrário, o intercâmbio cultural é valioso, mas de garantir que qualquer um que venha filmar aqui entenda que o Brasil possui instituições, leis e um setor audiovisual que exige, no mínimo, respeito aos procedimentos vigentes. O respeito às regras do jogo deve ser a primeira cena de qualquer filmagem internacional em solo brasileiro.
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