Em 2025, a dupla de diretores venceu o 3º Festival de Cinema de Canoas, com o curta-metragem Cardo, conquistando seis prêmios, entre eles Melhor Filme e Melhor Direção; No mesmo ano, a parceria também alcançou premiações em Hollywood, seleções em festivais em todo o Brasil e a participação em um festival qualificador para o Oscar.
Terra Bruta mergulha no século XIX para acompanhar Miguel, um jovem que retorna às suas origens, no sul do Brasil, para enfrentar memórias fragmentadas e ameaças iminentes. Sua jornada é marcada pela busca por purificação em meio a lugares inóspitos e aos fantasmas do passado.
Com roteiro de Thiago Suman, Guilherme Suman e Allan Riggs, o filme propõe uma reflexão sobre a anatomia da masculinidade e suas manifestações tóxicas, compreendidas como resultado de uma construção histórica que associa o ser homem à força, ao domínio e à repressão das emoções. Nesse contexto, a violência transforma-se em um corpo físico e simbólico que molda uma identidade masculina construída sobre silêncios e feridas jamais elaboradas. Os irmãos Suman também assinam o figurino e a direção de arte, ampliando a densidade visual da obra.
Embora dialogue com os códigos mais icônicos do western, Terra Bruta busca justamente desconstruir o imaginário clássico do gênero. O caubói, tradicionalmente marcado pela ambiguidade entre civilização e barbárie, cede espaço a uma visceralidade que costura um mundo devastado, cujos valores foram corroídos para expor os mecanismos de construção estrutural do masculinismo ocidental, desde suas manifestações mais cotidianas até suas expressões mais extremas.
Mais do que denunciar, Terra Bruta lança uma pergunta ao espectador: até que ponto a violência é inevitável quando a identidade masculina é construída sobre sofrimento e silenciamento?






