Uma pesquisa produzida por estudantes de Medicina da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), no campus Canoas, recebeu o primeiro lugar entre os trabalhos científicos apresentados no VII Congresso do Departamento Universitário da Associação Médica do Rio Grande do Sul (VII CDU AMRIGS). O estudo investiga como a distância percorrida pelos pacientes pode interferir no acesso à cirurgia oncológica pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O congresso ocorreu no último sábado (22), em Porto Alegre, e reuniu acadêmicos de Medicina e especialistas para debater avanços, desafios e perspectivas relacionados a diferentes áreas da cirurgia.
Com o título “O efeito da distância na cirurgia oncológica: uma análise epidemiológica do deslocamento de pacientes no SUS”, o trabalho foi desenvolvido pelos acadêmicos Bárbara Garcia, Alana Dal Lago, Gabriel Jardim de Vargas, Fernanda Estrella e Eduardo Estrella.
Distância até o tratamento especializado
A pesquisa avaliou o deslocamento de pacientes diagnosticados com neoplasia maligna do cólon, identificada pelo código CID-10 C18, até unidades de alta complexidade da rede pública. O objetivo foi analisar a relação entre as barreiras geográficas e o estágio da doença no momento do diagnóstico.
Ao todo, o levantamento considerou 202.287 casos atendidos pelo SUS. A Região Sudeste concentrou 48,3% dos registros, seguida pelo Sul, com 26,9%, e pelo Nordeste, com 15%.
Embora apresentem menor concentração de casos, as regiões Norte e Centro-Oeste registraram as maiores distâncias médias entre os pacientes e os serviços especializados. No Norte, o percurso médio chegou a 276 quilômetros. No Centro-Oeste, foi de 256 quilômetros.
Os pesquisadores também avaliaram a proporção de tumores identificados em estágios avançados. No Centro-Oeste, 23,8% dos casos estavam no estágio IV. No Nordeste, esse percentual chegou a 21,9%.
A análise aponta que as desigualdades territoriais podem dificultar o acesso em tempo adequado ao tratamento cirúrgico. Esse cenário pode produzir reflexos no prognóstico dos pacientes e elevar os custos relacionados à assistência de alta complexidade.
Entre as medidas apresentadas pelo estudo estão a ampliação e a descentralização dos centros cirúrgicos, o fortalecimento do rastreamento realizado pela Atenção Primária à Saúde e o aperfeiçoamento dos sistemas de regulação e transporte intermunicipal. Nesse contexto, os pesquisadores também destacam a importância do Tratamento Fora do Domicílio (TFD).
Produção científica premiada
O trabalho desenvolvido pelos acadêmicos da Ulbra foi selecionado para apresentação durante o congresso e alcançou a primeira colocação na premiação científica.
O segundo lugar ficou com a pesquisa “Mortalidade hospitalar após apendicectomia no Sistema Único de Saúde (SUS): análise regional de 2015 a 2025”, de Luís Matheus Correia Lobo.
Ana Julia Souza conquistou a terceira posição com o estudo “Tendência da mortalidade hospitalar após transplante cardíaco no Rio Grande do Sul e no restante do Brasil, 2008 a 2025”.
Em sua sétima edição, o Congresso do Departamento Universitário da AMRIGS abriu espaço para a divulgação da produção científica de estudantes de Medicina do Rio Grande do Sul. A programação também contemplou discussões sobre Cirurgia Vascular, Urologia, Cirurgia do Aparelho Digestivo, Cirurgia Oncológica e Trauma.
A premiação obtida pelos acadêmicos da Ulbra amplia o debate sobre um dos desafios enfrentados pela saúde pública brasileira: a dificuldade de aproximar os pacientes dos serviços especializados. Os dados analisados indicam que a oferta do tratamento, isoladamente, pode não ser suficiente quando o deslocamento representa uma barreira para o atendimento no momento adequado.





