O confronto entre Brasil e Japão foi, literalmente, um teste para cardíaco. Para quem esperava um passeio burocrático, a realidade se impôs da forma mais pura isso é Copa do Mundo. Foi um jogo que exigiu calma, resiliência e, acima de tudo, a capacidade de acreditar até o último segundo. No mesmo dia, aliás, vimos o desacreditado Paraguai mandar a toda-poderosa Alemanha de volta para casa. O futebol não aceita soberba, e o Mundial é justamente o palco onde giantes balançam e os determinados sobrevivem. É um torneio que tem o poder único de unir um povo, de “costurar as franjas” de uma nação. E, sejamos francos, é exatamente essa união que está fazendo falta para o nosso Brasil. A camisa da Seleção é amarela, é azul, é branca, é verde, ela é o manto de todos nós. Ainda assim, o que mais se vê por aí é brasileiro torcendo para a Argentina, seja por protesto político descabido ou por puro “charminho” para aparecer. Mas a verdade é uma só somos brasileiros e ponto final.
Se tantas coisas no país parecem não funcionar, se a educação patina, se a saúde clama por socorro, se a realidade nos golpeia, o futebol sempre foi o nosso porto seguro, o lugar onde a gente se agarra para lembrar quem somos e do que somos capazes. Foi assim nas glórias 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002, e foi assim até no romantismo doloroso da fabulosa seleção de 1982. O povo brasileiro sempre teve na Amarelinha a sua maior representatividade, um combustível que nos leva até o fim. Por isso, se o Brasil ganhar de 5 a 0 ou de 1 a 0 sofrido, o peso da vitória e a história escrita são exatamente os mesmos. O que importa é fé no processo. Dentro das quatro linhas, inclusive, é hora de fazer justiça… Casemiro, que vinha fazendo uma Copa de oscilações, foi simplesmente um gigante contra o Japão, mostrando a casca e a liderança que dele se espera. Ao lado dele, Bruno Guimarães faz um grande Mundial, dando a sustentação necessária para que Vinicius Júnior chame a responsabilidade para si e incendeie o ataque. Essa Seleção nos lembra que o futebol não é feito apenas de um nome; não é só sobre Neymar, Vini, Alisson ou Casemiro, mas sim sobre o grupo.
O Brasil, que muitos viam como o “patinho feio” ou desacreditado antes do torneio, tem bola e camisa para ir muito longe se quiser. Mas fica a provocação se nós, os maiores do futebol, não acreditarmos, quem vai acreditar por nós? Lembre-se de onde você veio e de onde nasceu na terra do Rei Pelé. Convivemos diariamente com escândalos, desigualdade, miséria e injustiças que machucam o nosso país de norte a sul, mas a Copa do Mundo é, talvez, um dos únicos momentos em que o torcedor tem o direito de esquecer as mazelas, abraçar a esperança e ser genuinamente feliz. Você pode até admirar o baixinho argentino ou o robozão português, mas eles não são o remédio para a nossa pátria. No final das contas, somos nós por nós mesmos. O Brasil tenta o hexacampeonato, é verdade, mas também faz 24 anos que mesmo em jejum, ninguém consegue nos alcançar no topo do mundo. O planeta inteiro respeita a Amarelinha, menos a Argentina, claro, mas o que mais poderíamos esperar deles? Respeite a sua pátria e faça valer a pena. O Brasil precisa de cada um de nós, assim como precisou em cada uma das cinco estrelas que carregamos no peito. Sempre que vencemos, estávamos juntos. Esta Copa não pode ser diferente; ela tem que ser minha, sua, de Neymar e de cada trabalhador. Vamos pegar junto, porque se nós largarmos a mão da Seleção… quem vai segurar?
Como diz meu chará Lucas Silveira :
“Chegou a hora de ser maior que as muralhas tentarão me prender em vão a gente pode crescer perdendo a batalhaNão deixe a vida escorrer das mãos”






