Porto Alegre aparece, ano após ano, como o principal ponto de concentração das ocorrências policiais no Rio Grande do Sul. Entre 2022 e 2025, a Capital acumulou 500.031 registros, volume muito acima do observado nos demais municípios gaúchos.
Conforme apurado por meio da plataforma Crime Brasil, com base em dados oficiais de segurança pública, o levantamento permite acompanhar a evolução das ocorrências por município, ano e tipo de crime, mostrando não apenas onde há mais registros, mas também quais indicadores avançaram ou recuaram ao longo do período.
Em 2025, Porto Alegre registrou 131.000 ocorrências policiais. No mesmo ano, Canoas teve 28.027 registros, enquanto Gravataí somou 17.490. Na comparação direta, a Capital registrou aproximadamente 4,7 vezes mais ocorrências que Canoas e 7,5 vezes mais que Gravataí.
A diferença coloca Porto Alegre em posição isolada no mapa da segurança pública do estado. Mesmo quando há queda em crimes específicos, o volume total da Capital segue distante dos demais municípios.
Os números, no entanto, exigem leitura cuidadosa. O levantamento trata de ocorrências registradas em números absolutos. Isso significa que os dados não medem, sozinhos, a taxa proporcional de criminalidade por habitante nem permitem afirmar, de forma isolada, qual cidade é mais ou menos segura. Para essa conclusão, seria necessário cruzar os registros com a população de cada município e calcular taxas específicas.
Ainda assim, a série histórica revela movimentos importantes. Porto Alegre concentra o maior número de registros, enquanto Canoas e Gravataí, apesar de ainda apresentarem volume expressivo de ocorrências, tiveram redução em indicadores associados a crimes violentos e patrimoniais de maior impacto direto sobre a população.
A Capital no centro dos registros
Porto Alegre liderou o ranking estadual em todos os anos analisados. A cidade teve 107.974 ocorrências em 2022, subiu para 138.783 em 2023, recuou para 122.274 em 2024 e voltou a crescer em 2025, quando chegou a 131.000 registros.
A Capital, portanto, encerrou 2025 abaixo do pico registrado em 2023, mas acima dos números de 2022 e 2024.
Entre os tipos de ocorrência mais frequentes em Porto Alegre em 2025 estão estelionato, com 14.333 registros; ameaça, com 13.514; outros crimes, com 6.561; lesão corporal, com 6.344; e lesão corporal culposa na direção de veículo automotor, com 5.571.
Porto Alegre também lidera recortes de maior impacto, como total de roubos, total de furtos, roubo a pedestre, roubo de veículo, furto de veículo, homicídio doloso, ameaça, estelionato e descumprimento de medida protetiva de urgência.
É esse conjunto que explica o peso da Capital no levantamento. Não se trata apenas de um crime específico, mas de uma concentração ampla de registros em diferentes categorias.
Roubos caem, mas Porto Alegre segue distante das demais cidades
Apesar do alto volume geral, Porto Alegre apresentou queda em alguns crimes violentos e patrimoniais entre 2022 e 2025.
O total de roubos caiu de 16.435 registros em 2022 para 8.026 em 2025, redução de 51,2%. O roubo a pedestre passou de 11.777 ocorrências para 4.760, queda de 59,6%. Já o roubo de veículo recuou de 1.540 para 509 registros, redução de 66,9%.
Também houve queda nos homicídios dolosos. A Capital passou de 298 ocorrências em 2022 para 169 em 2025, redução de 43,3%. Em número de vítimas, a queda foi de 432 para 234 no mesmo período.
Os dados mostram que a Capital reduziu crimes relevantes, especialmente roubos e homicídios. Mesmo assim, Porto Alegre continua liderando o estado em volume absoluto de ocorrências. A queda em alguns indicadores não alterou a posição da cidade como principal centro de registros policiais do Rio Grande do Sul.
Canoas: queda nos crimes violentos, apesar do volume geral
Canoas aparece como a terceira cidade do estado em número absoluto de ocorrências policiais. O município somou 28.027 registros em 2025, atrás apenas de Porto Alegre e Caxias do Sul.
No total geral, Canoas não teve queda de 2024 para 2025. O município passou de 27.130 ocorrências para 28.027, alta de 3,3%. A leitura muda, porém, quando a análise se concentra em crimes violentos e patrimoniais.
Entre 2022 e 2025, Canoas registrou queda expressiva em homicídio doloso. Foram 75 ocorrências em 2022 e 26 em 2025, redução de 65,3%.
O total de roubos também caiu de forma relevante. Em 2022, Canoas teve 2.209 registros. Em 2025, foram 848. A redução foi de 61,6%.
O roubo a pedestre, uma das ocorrências que mais afetam a sensação de segurança nas ruas, caiu de 1.577 registros para 476, queda de 69,8%. O roubo de veículo passou de 223 para 133 ocorrências, redução de 40,4%. O furto de veículo também recuou, de 465 para 283 registros.
Esses dados mostram que Canoas ainda tem volume elevado de ocorrências no comparativo estadual, mas apresentou melhora em indicadores de maior gravidade e impacto cotidiano.
Gravataí também reduz homicídios e roubos
Gravataí segue uma tendência semelhante. O município teve 17.490 ocorrências em 2025. O total geral ficou acima do registrado em 2024, quando foram 17.015 registros, uma alta de 2,8%.
Nos crimes violentos e patrimoniais, porém, houve queda importante entre 2022 e 2025.
O homicídio doloso caiu de 29 ocorrências para 14, redução de 51,7%. O total de roubos passou de 1.335 para 551 registros, queda de 58,7%.
O roubo a pedestre recuou de 961 para 317 ocorrências, redução de 67%. O roubo de veículo caiu de 172 para 94 registros, queda de 45,3%. Já o furto de veículo passou de 199 para 172.
Assim como em Canoas, os dados de Gravataí não indicam queda no total geral de ocorrências, mas revelam recuo em crimes que costumam ter impacto mais direto sobre a vida diária da população.
O contraste entre volume e gravidade
A comparação entre Porto Alegre, Canoas e Gravataí mostra que a segurança pública não pode ser lida apenas pelo número total de ocorrências.
O volume geral inclui diferentes tipos de registros, como estelionato, ameaça, lesão corporal, furtos, acidentes de trânsito com lesão, descumprimento de medidas protetivas, crimes patrimoniais e outras categorias. Por isso, uma cidade pode ter aumento no total de ocorrências e, ao mesmo tempo, queda em crimes violentos.
É o caso de Canoas e Gravataí. Os dois municípios não reduziram o número total de registros em 2025, mas apresentaram queda em homicídios, roubos, roubo a pedestre e roubo de veículo quando comparados a 2022.
Porto Alegre também reduziu crimes importantes, como roubos e homicídios, mas permaneceu com volume muito superior ao das demais cidades. A Capital segue como o principal centro de registros policiais do estado.
O que os dados permitem concluir
O levantamento aponta três movimentos principais.
O primeiro é a concentração das ocorrências em Porto Alegre. A Capital lidera com ampla vantagem e aparece distante dos demais municípios em praticamente todos os recortes de maior volume.
O segundo é a redução de crimes violentos e patrimoniais em Canoas e Gravataí. Embora os dois municípios ainda tenham números expressivos, ambos registraram queda em homicídios e roubos na comparação entre 2022 e 2025.
O terceiro é a necessidade de separar volume total de criminalidade violenta. O total de ocorrências mostra a quantidade de registros feitos pelas autoridades. Já a análise por tipo de crime permite identificar onde houve melhora, piora ou estabilidade.
A leitura mais precisa, portanto, não está em tratar uma cidade como segura ou insegura de forma absoluta. Está em observar quais crimes cresceram, quais caíram e onde os registros permanecem concentrados.
Nesse retrato, Porto Alegre segue como o maior polo de ocorrências policiais do Rio Grande do Sul. Canoas e Gravataí, por sua vez, aparecem com redução em indicadores relevantes de violência, especialmente homicídios e roubos.
Dados oficiais de segurança pública de 2022 a 2026, extraídos do site https://crimebrasil.com.br/.
Foto: Luciano Lanes/PMPA






