Uma onda de protestos liderada por motoboys e entregadores de aplicativo tomou as principais vias de São Paulo, Sorocaba e Brasília neste mês de março. A mobilização, batizada de “Breque dos Apps”, reflete o descontentamento da categoria com as recentes exigências regulatórias e a falta de reajuste nas taxas de entrega.
O movimento ganhou força em grupos de mensagens, onde lideranças convocam a categoria à união. “Quem está aqui é para correr pela melhoria da nossa categoria, que está um lixo”, afirmou um dos organizadores, reforçando que a paralisação é a única via para pressionar as plataformas e o poder público.
Os Eixos da Paralisação
As reivindicações da categoria em 2026 concentram-se em três frentes principais:
Regulamentação e Burocracia: O ponto de maior conflito é o novo exame teórico obrigatório do Detran-SP e a exigência de CNH por, no mínimo, dois anos. Para os entregadores, essas medidas dificultam o exercício da profissão sem oferecer contrapartidas de segurança real.
Remuneração e Autonomia: O grupo exige o aumento imediato do valor do quilômetro rodado e o fim de práticas como “rotas triplas” e o agendamento compulsório de entregas, que limitam a liberdade do profissional.
Oposição ao PL 152/2025: Conhecido como a “Lei dos Apps”, o projeto é visto com desconfiança. Trabalhadores alegam que o texto falha em garantir transparência nos algoritmos e pode, na prática, reduzir os ganhos líquidos ao não fixar uma remuneração mínima condizente com os custos de manutenção dos veículos.
Impactos e Conflitos
Os protestos já causam reflexos diretos no cotidiano das metrópoles. Na capital paulista, a Marginal Pinheiros registrou lentidão devido a comboios de motociclistas. Em Sorocaba e no Distrito Federal, o serviço de entregas por aplicativos como o iFood sofreu interrupções parciais.
Enquanto especialistas alertam para o possível encarecimento dos serviços e mudanças no modelo econômico das plataformas, os entregadores mantêm a postura de resistência. O impasse em torno do PL 152/2025 segue como o principal nó legislativo, com a categoria exigindo direitos que não resultem em mais precarização.

Mobilização chega ao Rio Grande do Sul
Em Porto Alegre, a categoria também organiza sua adesão ao movimento nacional. O “Breque” local está agendado para o dia 6 de abril, segunda-feira, com concentração às 17h no Parque Farroupilha (Parcão). O foco do protesto em solo gaúcho é a crítica contundente aos pontos do PL 152/2025 que, segundo os trabalhadores, não trazem benefícios reais.
Entre as principais queixas estão a manutenção do status de autônomo — que exclui direitos como FGTS, férias e 13º salário — e a nova contribuição previdenciária obrigatória, que deve reduzir a renda líquida imediata do motoboy. Para os manifestantes, a regulamentação proposta aumenta o controle das plataformas e as exigências operacionais sem resolver o problema central: a remuneração baixa e a falta de uma taxa mínima justa por corrida.






