Propaganda de apostas: será que atrapalha o futebol?

Ontem, dia 18, eu estava assistindo à convocação dos jogadores para a Seleção Brasileira e não consegui deixar de reparar numa coisa que me incomoda bastante: a quantidade absurda de propaganda de casas de apostas que vemos em todo lugar. Fiquei pensando que, ao invés de tanta gente investindo tanto tempo e espaço nesse tipo de marketing, será que eles não poderiam se esforçar mais para ajudar o Brasil a ganhar o tão sonhado Hexa? Hoje em dia, parece que muitos atletas e veículos de imprensa estão mais preocupados em divulgar sites de apostas do que em focar no que realmente importa dentro de campo.

Um exemplo que não sai da minha cabeça é o caso do Lucas Paquetá, que foi alvo de uma investigação bem longa da Federação Inglesa de Futebol (FA). Ele foi acusado de ter provocado cartões amarelos de propósito em quatro partidas da Premier League, entre 2022 e 2023.

A história é séria: a suspeita é que ele fez isso para que amigos e familiares pudessem ganhar dinheiro apostando contra ele mesmo. Tudo começou porque as próprias empresas de apostas perceberam um movimento estranho: muita gente da região onde ele nasceu, a Ilha de Paquetá, tinha feito apostas prevendo que ele iria tomar cartão amarelo naqueles jogos específicos.

O volume de apostas e o perfil de quem apostou chamaram tanta atenção que abriu uma investigação que durou dez meses. Os jogos em questão foram contra o Leicester City, Aston Villa, Leeds United e Bournemouth. Se for verdade, é um erro gravíssimo, pois mexe com a honestidade do esporte, só para beneficiar pessoas próximas. Essas informações foram divulgadas pela ESPN, e o caso mostra o quanto essa relação entre jogador e aposta pode ser perigosa.

E não são só os atletas, não. A gente vê também grandes emissoras, como a Globo, fazendo essa divulgação o tempo todo. Em cada jogo que passa na TV, os narradores e comentaristas acabam incentivando quem está assistindo a fazer uma fézinha, como se fosse algo inofensivo ou até parte da diversão. Lembrei também do Big Brother Brasil, que durante todo o tempo de exibição fez propaganda da Betano, uma empresa de apostas. Sempre com aquela frase pronta: “joguem com responsabilidade”, mas empurrando o serviço para todo mundo ver, sem parar.

O problema é que muita gente não sabe a hora de parar, e o que parecia brincadeira vira um pesadelo. Já vi de perto famílias inteiras se desfazendo por causa do vício em apostas. Tem gente que acaba devendo muito dinheiro para agiotas, perde tudo o que tem, abandona a casa e os filhos, ou até coisas piores. Infelizmente, há casos tristes em que pessoas morrem, e toda a família acaba sofrendo consequências terríveis por causa de dívidas que não conseguem pagar.

Por isso, eu fico pensando: será que vale a pena tanto marketing assim? O futebol é a paixão nacional, a Seleção é o orgulho do país, e muita gente acha que o foco deveria ser outro. Menos propaganda de apostas, mais dedicação ao esporte, mais honestidade e mais preocupação com as pessoas que podem ser prejudicadas por causa disso. Quem sabe assim, com o foco no que realmente importa, fica mais fácil de chegar ao Hexa e de ter um futebol mais limpo e divertido para todo mundo.

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Leilane Beck
Leilane Beckhttp://realnews.com.br
Entre a ficção e a realidade, meu compromisso é traduzir o tempo em palavras com sensibilidade, crítica e verdade.

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