Em ano de Copa do Mundo, a memória do torcedor gremista se volta para um capítulo singular da história do futebol: a era em que o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense não se limitava a enfrentar clubes, mas media forças diretamente com seleções nacionais ao redor do globo.
Entre 1911 e 2026, o “Imortal” construiu um currículo internacional invejável. Diferente do cenário atual, onde o calendário apertado e as regulamentações da FIFA dificultam tais encontros, o Grêmio consolidou sua marca como um “embaixador” do futebol brasileiro, acumulando vitórias e empates históricos contra equipes que se preparavam para o auge do futebol mundial.
Duelos de Gigantes na América do Sul e Além
A trajetória tricolor contra seleções revela um retrospecto de respeito. Na década de 50, o Grêmio foi protagonista de excursões que marcaram época:
Argentina: Em 1956, o Estádio Olímpico foi palco de um empate sem gols contra a poderosa seleção argentina, em celebração à Revolução Farroupilha. O retrospecto contra os vizinhos é de equilíbrio absoluto: uma vitória para cada lado e um empate.
Brasil: Em 1967, o Grêmio serviu de teste para a Seleção Brasileira. Curiosamente, três jogadores gremistas foram “emprestados” à Amarelinha para enfrentar o próprio clube. O jogo terminou em 1 a 1, com o gremista Alcindo marcando o gol do Brasil.
México: Em 1953, sob o olhar de 40 mil pessoas no Azteca, o Tricolor buscou um empate eletrizante em 3 a 3 contra a seleção mexicana, que se preparava para o Mundial da Suíça.
O Domínio na América Central e Caribe
O Grêmio também deixou sua marca em terras centro-americanas, muitas vezes saindo vitorioso e com troféus na bagagem.
A Força do Campeão do Mundo
Na década de 80, já ostentando o título mundial de 1983, o Grêmio manteve o sarrafo alto. Em 1984, enfrentou a Argélia, que vinha de uma campanha histórica na Copa de 82. Em um estádio lotado em solo africano, o Tricolor venceu, provando que sua força transcendia continentes.
Outro desafio marcante foi a invencibilidade na altitude de La Paz em 1954, onde o clube derrotou a seleção da Bolívia por 2 a 0 e empatou em 1 a 1, meses antes da inauguração do lendário Estádio Olímpico.
“O Grêmio sempre representa bem o Brasil quando é necessário — até mesmo contra o próprio Brasil!”
Esses registros, alguns raros e outros amplamente documentados na internet, reforçam a identidade de um clube que nunca temeu o tamanho do adversário, fosse ele um time vizinho ou uma nação inteira.
O Terror do Leste Europeu: Vitórias em Bucareste e Budapeste
As excursões europeias, especialmente as comandadas por técnicos lendários como Foguinho, colocaram o Grêmio no mapa internacional como uma força imparável.
Romênia (1961): Em uma das exibições mais avassaladoras de sua história, o Grêmio aplicou um 5 a 2 sobre a Seleção Romena em plena capital, Bucareste. O feito, que repercutiu amplamente na imprensa brasileira, consolidou o time como uma potência global.
Hungria (1961 e 1969): O Imortal mantém-se invicto contra a tradicional seleção húngara. Em 1961, conquistou um empate em Budapeste, e em 1969, venceu por 1 a 0 no Estádio Olímpico, diante de sua torcida.
União Soviética (URSS): Em 1966, o Grêmio derrotou a URSS por 2 a 1 no Olímpico, com gols de João Severiano e Alcindo. O jogo ficou marcado pelo elogio do lendário goleiro Lev Yashin, a “Aranha Negra”, ao atacante gremista Alcindo.
Domínio Absoluto nas Américas
Se na Europa o Grêmio era respeitado, nas Américas Central e do Sul o clube era temido pela sua eficiência e retrospecto vitorioso.
A “Pedra no Sapato” Búlgara e o Sucesso Africano
Nem todos os confrontos foram de vitórias fáceis. A Bulgária se provou um dos adversários europeus mais duros, acumulando três vitórias sobre o Tricolor entre 1961 e 1985. O melhor resultado gremista contra os búlgaros foi um empate em 1 a 1 na Índia, pela Nehru Cup de 1985.
Já em 1984, ostentando a coroa de Campeão do Mundo, o Grêmio encarou a Argélia. Em um estádio lotado e contra uma seleção que havia brilhado na Copa de 82, o time comandado por Valdir Espinosa venceu, reforçando a máxima de que o Grêmio não escolhia adversários: ele enfrentava nações.
“O Imortal levou sua força até a América Central, Europa, Ásia e África, cruzando continentes e desafiando estrelas mundiais”.
Esses confrontos, que somam dezenas de gols marcados e troféus conquistados, formam o alicerce da identidade internacional do Grêmio, um clube que, em campo, sempre tratou amistosos contra seleções com a seriedade de uma final de Copa.



