Gravataí promoveu, no sábado (25), uma programação dedicada ao Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, data que também celebra o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. Realizado no Quilombo Manoel Barbosa, o encontro reuniu mulheres negras e quilombolas em uma agenda voltada à valorização da cultura afro-brasileira e ao debate sobre a importância de políticas públicas para a promoção da igualdade racial.
A atividade também buscou dar visibilidade à trajetória e às lutas das mulheres negras, reforçando a necessidade de ações que contribuam para uma sociedade mais justa, inclusiva e representativa.
O assessor de Políticas Públicas para a Igualdade Racial de Gravataí, Davi Dias, destacou a importância de realizar a celebração no próprio território quilombola.
“É gratificante podermos realizar um evento como esse e celebrar o legado de Tereza de Benguela aqui no quilombo, que é liderado por uma mulher negra e quilombola. Isso ressalta a luta das que estão aqui e lutam por uma sociedade mais igual para todos”, afirmou.
Tereza de Benguela foi uma liderança quilombola do século XVIII. Sob sua liderança, negros e indígenas organizaram uma comunidade autônoma e resistente ao sistema escravista. Sua trajetória se tornou um símbolo da resistência e da participação das mulheres negras na história do Brasil.
A presidente da Associação da Comunidade Remanescente do Quilombo Manoel Barbosa, Márcia Maria Santos, ressaltou a relevância de preservar e difundir esse legado.
“Seu legado representa a força, a inteligência e a resiliência das mulheres negras que ajudaram a erguer o país, mesmo enfrentando o apagamento histórico e a violência estrutural. Ficamos muito felizes e honrados de receber esse encontro”, destacou.
A programação foi organizada pela Assessoria de Políticas Públicas para a Igualdade Racial (APPIR), vinculada à Secretaria Municipal da Mulher e Direitos Humanos, em conjunto com o Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial (Compir).
Entre as atividades realizadas estiveram apresentações musicais das cantoras Thalia Macedo e Josiane Prestes, além de uma feira afro com produtos produzidos pela comunidade.
O encontro também contou com uma palestra da advogada Verônica Peixoto, que abordou a participação e a importância das mulheres negras no campo do Direito, além da necessidade de iniciativas de enfrentamento ao racismo e às desigualdades históricas.
Durante a atividade, a advogada também destacou a trajetória de Esperança Garcia, mulher negra escravizada no século XVIII que se tornou referência na luta por direitos e justiça no Brasil. Sua história é reconhecida como um marco na trajetória das mulheres negras na defesa de direitos no país.
A programação reforçou a importância de preservar a memória de lideranças negras e valorizar a contribuição das mulheres negras e quilombolas para a formação social e cultural do Brasil.
Foto: Gabriel Muniz





