No futebol moderno, jogar com um homem a menos por grande parte do tempo é praticamente assinar a própria sentença. A bola pune. Os espaços aparecem. Os erros se acumulam. E aquela expectativa de equilíbrio simplesmente desaparece.
Foi exatamente isso que aconteceu após a expulsão do lateral-esquerdo Bernabei, em falta clara sobre o atacante Amuzu. A partir dali, o Internacional deixou de competir. O clássico, que tinha potencial para ser disputado até o fim, transformou-se em domínio total do Grêmio. O placar de 3 a 0 escancarou essa superioridade e colocou o Inter diante de uma missão quase impossível de reverter no Beira-Rio.
O elenco colorado já é limitado mesmo com 11 em campo. Com um a menos, sendo justamente um jogador tão importante para o sistema de Paulo Pezzolano, o cenário ficou ainda mais complicado. Bernabei é peça-chave na engrenagem ofensiva: oferece amplitude, profundidade e agressividade pelo lado esquerdo, muitas vezes atuando como um ponta. Sem ele, o Inter perdeu sua principal válvula de escape no ataque e viu suas alternativas diminuírem drasticamente.
Na volta do intervalo, já com 2 a 0 no placar, a escolha foi por um posicionamento mais conservador. A ideia parecia clara: minimizar os danos, encurtar o jogo e preservar o que ainda fosse possível pensando na decisão em casa. Era uma tentativa de controlar o inevitável.
Agora, Pezzolano terá a semana cheia para reorganizar a equipe, encontrar o substituto de Bernabei e, principalmente, recuperar o ânimo do grupo. Porque, se quiser evitar que o rival levante a taça do Campeonato Gaúcho em pleno Beira-Rio, o Internacional precisará fazer, talvez, sua melhor atuação na temporada.



