Epilepsia ignorada: paciente denuncia abandono e descaso da Secretaria de Saúde de Porto Alegre

Às vésperas do Natal, diante do agravamento de um quadro de epilepsia focal, fiz sucessivos apelos em busca de atendimento neurológico especializado pelo sistema público de saúde. A situação clínica, segundo relatos já apresentados anteriormente, envolve piora progressiva dos sintomas, lapsos de memória e impactos diretos na autonomia e na qualidade de vida.

Nesse contexto, um amigo jornalista, com quem já trabalhei, encaminhou-me o contato de Fernando Ritter, atual secretário municipal de Saúde de Porto Alegre. O contato foi visualizado, mas não respondido. Posteriormente, enviei uma mensagem de agradecimento pela tentativa de ajuda — ainda que sem retorno efetivo.

Dias depois, decidi telefonar. A ligação foi desligada. Em seguida, recebi a justificativa de que o secretário estaria em reunião, mas que poderia receber mensagens. Expliquei, então, de forma objetiva, a gravidade do meu quadro de epilepsia focal e a necessidade de acompanhamento neurológico adequado. Foi dito que a situação seria resolvida.

A resposta, no entanto, não veio. No dia seguinte, enviei uma mensagem de “bom dia”, novamente sem retorno. Tentei ligar mais uma vez e não obtive atendimento, desta vez sem qualquer justificativa.

Na única orientação concreta recebida, fui informada de que, em caso de urgência, a única alternativa seria o Hospital Vila Nova. Relatei que já havia passado por essa experiência e que, longe de melhorar, meu quadro se agravou, uma vez que o atendimento se limitou à prescrição medicamentosa, sem investigação mais aprofundada ou acompanhamento especializado.

Diante da recusa em retornar ao mesmo serviço, fui orientada a aguardar de 15 a 20 dias para tentar atendimento em um hospital considerado “melhor”, desde que a solicitação partisse da UBS do meu bairro — prazo incompatível com a progressão dos sintomas relatados.

O caso evidencia, mais uma vez, as barreiras enfrentadas por pacientes com doenças neurológicas crônicas no acesso a atendimento especializado pelo SUS, mesmo quando há agravamento clínico e risco à saúde. Também levanta questionamentos sobre a efetividade da comunicação institucional e o acolhimento oferecido a cidadãos em situação de vulnerabilidade.

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Leilane Beck
Leilane Beckhttp://pensereal.com
Jornalista independente, baseada em evidências, múltiplas fontes e contexto histórico.
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