A Prefeitura de São Gonçalo do Amarante, no Ceará, terminou na dúvida sobre a estátua do Diabo que fica lá na Taíba: eles garantiram que a obra é totalmente regular. A prefeitura relata que o monumento de 11 metros, que fica no templo Palácio Estrela Negra da Quimbanda, seguiu todas as normas da cidade. Eles liberaram tanto o alvará de construção quanto a licença ambiental certinho.
Como a estátua fica numa área de proteção ambiental (a APA das Dunas do Litoral Oeste), também foi necessária uma autorização do Governo do Estado, via Secretaria de Meio Ambiente (SEMA), que também já foi concedida. Basicamente, a prefeitura confirmou que tudo foi feito na lei.
Até onde vai a liberdade de crença?
É um daqueles assuntos que dividem opiniões logo de cara, mas que traz uma discussão muito importante sobre o Brasil de hoje. O que a Prefeitura de São Gonçalo do Amarante fez, ao liberar a obra, foi basicamente seguir a Constituição: liberdade religiosa não é só para o que a maioria gosta ou está acostumada a ver. Se a gente vive num Estado laico, a regra tem que valer para todo mundo, doa a quem doer.
Por outro lado, é compreensível que muita gente estranhe ou até se assuste com uma estátua desse tamanho, especialmente com o nome “Diabo”, que carrega todo um peso cultural e religioso no nosso país. O que é mais interessante aqui é ver como essas manifestações menos convencionais, como a quimbanda, estão saindo das sombras e ocupando o espaço público.
A Mãe Rainha das Trevas, ao financiar o projeto, deixou claro que não está brincando em serviço. O fato de ela ter enfrentado preconceito online e mesmo assim seguir em frente mostra que a população que frequenta esses templos está buscando ser vista e respeitada.
No fim das contas, a estátua é particular, o terreno é privado e, se a prefeitura entendeu que está tudo na lei, vira uma questão de convívio. É um teste para a nossa tolerância: o quanto a gente consegue respeitar o que é diferente da nossa fé ou da nossa visão de mundo? Taíba acabou virando, querendo ou não, o palco desse debate sobre limites, crenças e o que significa viver em sociedade hoje em dia.
Um investimento próprio, projeto feito por engenheiro e uma ambição grande: ser dona da maior estátua do Diabo no mundo. É isso que a Mãe Rainha das Trevas relata sobre o monumento que ela construiu na sua própria propriedade. O que chama a atenção aqui não é nem o valor gasto, mais de R$ 100 mil do bolso dela, ou o fato de ser um terreno privado. A busca por um recorde desperta a curiosidade. Ela diz com certeza que é a maior estátua do mundo. Mas não tem um documento oficial que prove isso.
Com quase 800 mil seguidores no Instagram, “A Mãe Rainha das Trevas” utiliza o espaço para mostrar suas práticas de magia e, claro, acabou virando alvo de muitos ataques, mas também de apoio. O que colocamos na mesa é a questão do respeito. A liberdade de crença é um direito garantido pela lei brasileira, e discriminação ou ódio por causa de religião não é opinião, é crime (segundo a Lei nº 7.716/1989).
A história dela não é de hoje. Antes do Palácio Estrela Negra da Quimbanda, ela já causava estranhamento com a “Casa dos Caixões” em Fortaleza. Ela mesma diz que o preconceito sempre existiu, desde que começou a exercer a fé dela publicamente. Hoje, o templo dela atrai entre 200 a 300 pessoas por evento que participam das giras e festas para as entidades.
O ponto mais interessante, e que muita gente ignora, é como ela ressignifica as palavras. Enquanto a maioria das pessoas utiliza “demônio” como algo pejorativo, para ela, é uma entidade que acolhe e ajuda quem precisa. É muito fácil a gente tolerar apenas as religiões que já estamos acostumados a ver por aí.
O desafio de viver em sociedade é respeitar o sagrado do outro, mesmo quando ele é completamente diferente do nosso ou quando desafia o que a gente aprendeu a considerar “certo”. No fim, o direito dela de professar a própria fé, desde que não fira ninguém, é a base da liberdade que todos queremos ter. A gente consegue separar o choque cultural do respeito à liberdade de culto?
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