Os erros de Lula e a lei dos estágios: um tiro no pé da educação e do futuro do país

Ao longo dos quatro anos de mandato de Luiz Inácio da Silva, o Lula, é impossível não perceber que uma série de decisões tomadas pelo seu governo acabaram se mostrando erros fatais para a nossa sociedade. Erros que, de forma direta ou indireta, mexeram com a vida das pessoas, com o funcionamento dos serviços públicos e, principalmente, com o futuro das novas gerações. Dentre todas essas medidas equivocadas, porém, uma das mais absurdas e que mais gerou revolta e preocupação nos últimos dias foi, sem dúvida, a criação da nova lei que traz mudanças profundas nas regras dos estágios. E não é exagero dizer: essa foi, sem sombra de dúvida, a maior “burrice” que vimos nos últimos tempos vindo do Palácio do Planalto.

Para entender o tamanho do problema, é preciso começar por um ponto básico, que todo estudante, todo pai de família e qualquer pessoa que já passou por uma universidade sabe muito bem: o estágio não é, e nunca foi, um emprego comum. Ele funciona, na prática, como uma verdadeira disciplina da faculdade, uma extensão da sala de aula. É o momento em que o aluno pode colocar em prática tudo o que aprende nas teorias, nas aulas e nos trabalhos acadêmicos. O objetivo principal do estágio é justamente preparar o jovem para o mercado de trabalho — um mercado que todos sabem que é duro, competitivo, cheio de exigências e que cobra muito de quem quer entrar nele. A ideia sempre foi: aprender primeiro, praticar com acompanhamento, ganhar experiência e, só depois, quando estiver realmente preparado, assumir uma função de trabalho de forma integral e definitiva. Mas com essa nova lei, tudo isso está sendo virado de cabeça para baixo, como se ninguém entendesse como funciona a formação de um profissional de verdade.

O pior de tudo é que essa medida não afeta só o setor privado. O presidente Lula também incluiu na proposta a obrigatoriedade de estágio para quem quer prestar concurso público. E isso é ainda mais errado, mais equivocado e mais prejudicial. Vamos parar para pensar: o estudante universitário já vive uma rotina extremamente pesada e desgastante. Ele passa horas dentro da faculdade, assistindo a aulas, participando de discussões, fazendo provas e trabalhos. Quando chega a hora do estágio, já é um esforço enorme para conciliar tudo isso. Agora, com essas novas regras, a carga vai aumentar ainda mais — e de forma desnecessária.

Imagine a rotina de um aluno, por exemplo: ele sai da sua casa cedo, vai para a faculdade, fica lá o dia todo. Quando acaba as aulas, segue direto para o estágio, onde passa mais algumas horas executando tarefas. Quando finalmente chega em casa, já está cansado, exausto, mas ainda precisa fazer trabalhos acadêmicos, estudar para provas, ler materiais, preparar apresentações. Quantas horas de sono sobram para essa pessoa? Quantos minutos de descanso? Muitos vão dormir três, quatro horas por noite, no máximo. E não é preciso ser especialista em nada para saber que ninguém consegue estudar, aprender e se desenvolver bem com uma rotina dessa. O resultado é só um: cansaço excessivo, estresse, desânimo e, em muitos casos, a desistência.

E é aí que mora o perigo maior. Com essa sobrecarga absurda, cada vez mais alunos vão acabar abandonando os estudos, saindo da faculdade antes de terminar o curso. E fica até uma pergunta que não quer calar: será que não é exatamente isso que eles querem? Porque, infelizmente, temos visto uma realidade cada vez mais clara: quanto menos conhecimento a população tem, quanto menos estudo as pessoas têm, mais fácil fica para os políticos tomarem conta de tudo, de controlar, de decidir sozinhos o que é bom ou ruim para todos nós. Quando a população é mais instruída, mais preparada, ela questiona, ela cobra, ela participa. Quando não é, fica tudo mais fácil para quem está no poder.

Agora, pare para imaginar o futuro do nosso país daqui a alguns anos, se essa lei continuar valendo e se essa lógica se manter. Se os alunos desistem da faculdade, se não conseguem terminar os cursos, onde vão estar os médicos que precisamos para atender a população? Onde vão estar os advogados que defendem os nossos direitos? Os economistas que ajudam a organizar a nossa economia? Os engenheiros, os professores, os enfermeiros, todos os profissionais que fazem o mundo andar para frente, que fazem a sociedade funcionar? Sem essas pessoas, sem uma formação de qualidade e bem estruturada, o país para de crescer, de evoluir, de oferecer condições boas para o seu povo.

E o que mais impressiona é que, independentemente de qual lado político você defende — se é de direita, se é de esquerda, se tem alguma outra posição —, todo mundo deveria concordar que essa medida é errada. Porque não é uma questão de ideologia, de partido ou de bandeira política. É uma questão de bom senso, de olhar para o futuro, de cuidar da educação e da formação das pessoas. Se você aceita essa “loucura”, essa mudança que destrói todo o modelo de formação que deu certo por tantos anos, então você está aceitando algo que não faz sentido, que não ajuda ninguém e que só traz prejuízos para todos nós.

O Brasil tem tantas coisas importantes que precisam ser discutidas, debatidas e resolvidas com urgência. Temos que encontrar formas de conseguir mais recursos para a saúde, que está cada vez mais precária em todo o país. Temos que investir muito mais na educação básica, na estrutura das escolas, na qualidade do ensino. Temos que melhorar a segurança pública, gerar empregos dignos, melhorar a renda da população, cuidar do meio ambiente. São tantos temas essenciais, tão necessários, que deveriam estar na ordem do dia do governo, que deveriam ser prioridade absoluta. Mas o que vemos? Ao invés de se preocupar com essas questões fundamentais, Lula e outros políticos estão gastando tempo e energia para transformar o estagiário em um trabalhador completo, sem levar em conta que ele ainda está aprendendo, que ele precisa de tempo, de acompanhamento e de equilíbrio.

Eles parecem não entender, ou simplesmente ignoram, o quanto é importante que o estágio caminhe lado a lado com a faculdade, com o período de estudos, e só depois, quando o aluno já está formado, já tem toda a base necessária, ele possa começar um trabalho digno, com todos os seus direitos, com uma carga horária adequada e com condições de crescer profissionalmente. Essa é a ordem certa, essa é a forma correta de construir uma sociedade forte, com profissionais capacitados e um futuro bom para todos.

Essa lei dos estágios é mais um erro que entra para a lista de equívocos desse governo. Mas, diferente de outras medidas, essa mexe diretamente com a base de tudo: a educação, a formação humana e o futuro das próximas gerações. É uma decisão que não pode ficar sem resposta, que não pode ser aceita de forma passiva. Porque quando se mexe com o estudo, com o aprendizado, se mexe com o futuro do país inteiro — e ninguém vai ganhar nada com isso, só temos a perder.

Foto: José Cruz/Agência Brasil

spot_img
Leilane Beck
Leilane Beckhttp://realnews.com.br
Entre a ficção e a realidade, meu compromisso é traduzir o tempo em palavras com sensibilidade, crítica e verdade.

Publicidade

Publicidade

- Conteúdo Pago -spot_img

Publicidade