Amigos, em um domingo gelado de Dia das Mães, o Grêmio entrou em campo para enfrentar o Flamengo. Em Porto Alegre, os termômetros não passaram dos 14 graus, apesar do belo sol que iluminava a Arena. E, falando em mãe, recordei da minha querida Dona Leila, que hoje mora no reino do céu e certamente olha lá de cima por mim, pelos meus irmãos e, claro, pelo Grêmio, paixão que herdei dela e que carrego como parte da minha própria existência.
Minha mãe não teve a oportunidade do estudo, mas era doutora na universidade da vida. Dona Leila sempre dizia verdades simples, daquelas que ficam marcadas na alma. Frases abertas, sinceras, como na canção “Amigo”, de Roberto Carlos, dedicada ao seu irmão de alma, Erasmo Carlos. E talvez você se pergunte o que tudo isso tem a ver com o Grêmio. Eu lhes digo tem tudo.
Há alguns anos, o Grêmio enfrenta o Flamengo de maneira apática, quase resignada. Um time sem coragem, sem alma, como se já entrasse derrotado em campo. E isso me faz lembrar dos conselhos da minha mãe, que dizia: “Quando for fazer algo, faça com vontade e acredite em si mesmo.” O Grêmio parece ter se acostumado a perder para Flamengo e Palmeiras sem sequer tentar lutar. E essa mentalidade não nasce apenas desta gestão ou deste treinador. Ela vem de muito antes, desde os tempos de Bolzan e Renato. O clube que já calou o Maracanã hoje se cala dentro da própria Arena.
O Grêmio passou a aceitar derrotas prévias, assumindo uma inferioridade que jamais combinou com sua história. Alguém pode dizer “Ah, Lucas, mas vencemos esse Flamengo sem Suárez.” Sim, é verdade. Mas uma vitória a cada cinco tentativas apenas confirma o abismo que se criou. Desde 2019, o Grêmio parece diminuir não só como time, mas como instituição. E não escrevo isso para atacar o clube. Muito pelo contrário. Talvez este texto seja um dos últimos suspiros de quem ama o Grêmio desde o berço, de quem herdou da mãe um sentimento que ultrapassa a vida e transforma a imortalidade em um elo eterno entre mãe e filho.
Ah, e o jogo… claro, o jogo. Como minha mãe sempre dizia “Baixar a cabeça e se colocar como inferior não é humildade; é falha.” E o Grêmio, mais uma vez, foi atropelado pelo Flamengo. Perdeu por 1 a 0, uma derrota que até saiu barata pelo que se viu em campo. O mais triste não é perder. O mais triste é ver a torcida começar a aceitar discursos derrotistas, como: “Eles são ricos, são melhores.” Nem todos os conselhos de todas as mães do mundo parecem capazes de mudar essa mentalidade que tomou conta do Grêmio.
E aqui deixo um questionamento. Em certa canção, Cazuza disse que “só as mães são felizes”. Discordo do poeta. As mães gremistas, não. Mas, como toda mãe, elas continuam acreditando em seus filhos, mesmo quando o próprio filho parece se entregar ao fracasso.






