Derrota previsível e alerta ligado: Grêmio entra no Z4 após nova atuação fraca

A derrota do Grêmio para o Flamengo por 1×0 na Arena foi um resultado que, infelizmente para o torcedor gremista, teve um sentimento de normalidade. A diferença técnica entre as equipes apareceu desde o começo do jogo e confirmou aquilo que já era esperado antes da bola rolar: o favoritismo do Flamengo era muito grande.

Mesmo jogando em casa e diante de mais de 30 mil torcedores, o Grêmio sofreu durante praticamente toda a partida. O placar acabou ficando barato pelo que o Flamengo produziu dentro de campo. A equipe carioca terminou o confronto com 69% de posse de bola e quase 700 passes trocados, números que mostram o tamanho do domínio sobre um Grêmio que teve dificuldades para competir e pouco conseguiu ficar com a bola.

Luís Castro manteve a formação com três zagueiros, mudando a estrutura que antes atuava no 4-1-4-1. Na minha visão, essa ideia não está errada. O sistema defensivo até mostra sinais de melhora, mas ainda precisa de ajustes importantes, principalmente no meio-campo. Contra o Flamengo, o Grêmio ficou muito espaçado sem a bola, com apenas dois homens centralizados no setor, dando liberdade para o adversário circular e construir jogadas na frente da área.

A tentativa de recuperar a bola e acelerar nos contra-ataques pouco funcionou. Mec e Amuzu ficaram isolados em muitos momentos, e faltou conexão entre defesa, meio e ataque. Talvez o caminho seja centralizar mais o Mec, aproximando ele da construção das jogadas e deixando Amuzu e Carlos Vinicius mais avançados.

Outro ponto que preocupa é a dupla de volantes. Noriega até entrega competitividade e boa ligação direta, mas tem dificuldade na velocidade do jogo. Já Léo Pérez, até aqui, pouco acrescentou coletivamente e demonstra limitações técnicas que prejudicam a saída de bola e a construção ofensiva da equipe. Com essa configuração, o Grêmio encontra enormes dificuldades para controlar partidas e criar alternativas ofensivas.

A impressão que fica é que o sistema defensivo melhorou em relação ao início do trabalho de Luís Castro, mas o meio-campo segue sendo o grande problema da equipe. Mesmo contra adversários mais frágeis, como aconteceu diante do Riestra, o Grêmio já dava espaços. Contra um time qualificado como o Flamengo, isso ficou muito mais evidente.

Agora a pressão aumenta. Pela primeira vez o Grêmio entra na zona de rebaixamento e terá uma sequência pesada antes da pausa do campeonato. Além dos compromissos pela Copa do Brasil e Sul-Americana, o time ainda enfrenta Bahia, Santos e Corinthians pelo Brasileirão. Jogos que podem definir não apenas a recuperação da equipe, mas também o futuro de Luís Castro no comando gremista.

O Grêmio ainda tem tempo para reagir, até porque a tabela segue embolada. Mas para sair dessa situação, o time precisa encontrar equilíbrio, principalmente sem a bola, e corrigir os problemas de ocupação no meio-campo. Caso contrário, a pressão que hoje já é grande pode transformar a sequência do trabalho em um cenário ainda mais complicado.

Foto: Duda Fortes/Agência RBS

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Gustavo Guedes
Gustavo Guedeshttps://realnews.com.br/
Jornalista/cronista esportivo

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