É revoltante ver as prioridades do governo sendo colocadas dessa forma. Enquanto hospitais sofrem com falta de equipamentos, escolas enfrentam abandono e a população convive diariamente com insegurança, o presidente Lula autoriza a instalação de televisões de 40 polegadas em unidades prisionais para que detentos não percam lançamentos de plataformas de streaming como a Netflix.
Segundo divulgado, o custo chega a quase R$ 86 mil, com instalação prevista para fevereiro. A justificativa apresentada é de que Jair Bolsonaro teria solicitado o equipamento para sua cela e, para não privilegiar apenas um preso, o benefício seria estendido às demais. Mas isso levanta uma questão óbvia: se houve pedido, por que não negar? Prisão não é local de entretenimento — é local de cumprimento de pena.
Estamos falando de pessoas condenadas por crimes graves: roubos, homicídios, estupros e tantas outras violências que destroem famílias e vidas. Enquanto isso, trabalhadores lutam para conseguir atendimento médico, policiais carecem de estrutura, professores enfrentam salas lotadas e comunidades inteiras vivem sem serviços básicos. Onde está a sensibilidade com quem cumpre a lei?
Não faz sentido gastar dezenas de milhares de reais em televisores para presídios quando áreas essenciais do país estão em colapso. A população espera investimentos em saúde, segurança e educação — não conforto extra para quem está privado de liberdade justamente por ter cometido crimes.
Se Bolsonaro realmente solicitou uma TV para sua cela, o correto seria negar. Simples assim. Não se resolve um possível privilégio criando outro maior ainda. Prisão não é hotel, não é cinema e não é sala de streaming. É consequência de atos que prejudicaram a sociedade.
Prioridades dizem muito sobre um governo.



