O período pré-eleitoral de 2026 é o mais violento dos últimos 10 anos no Brasil, de acordo com pesquisa das organizações de direitos humanos Terra de Direitos e Justiça Global. Os números mostram que os ataques motivados por questões políticas não diminuem nem mesmo durante períodos sem disputas eleitorais.
De acordo com a pesquisa, o Brasil teve um episódio de violência política a cada 44 horas, mesmo fora do período eleitoral. Esse número é o maior da série histórica contabilizada pelo estudo "Violência Política e Eleitoral no Brasil", elaborado desde 2016.
“A pesquisa mostra que inclusive grupos criminosos e até mesmo policiais estão entre os responsáveis pelos atos de violência. Estamos diante de um cenário que ameaça não apenas a vida de representantes políticos, mas também o funcionamento das instituições democráticas", destaca a diretora executiva da Justiça Global, Glaucia Marinho.
Foram registrados cerca de 354 casos de violência política. Se comparado ao último período pré-eleitoral, em 2024, quando ocorreram cerca de 299 episódios registrados, houve um aumento de 18,4%. Esses números correspondem às ocorrências entre 28 de outubro de 2024, dia seguinte ao segundo turno das eleições municipais, e 15 de agosto de 2026, um dia antes do início da propaganda eleitoral.
Cerca de 96,3% dos casos ocorreram contra quem já exercia mandato ou cargo público. Vale destacar mulheres cis, trans e travestis, que representam 50,6% das vítimas dessa violência. Ainda conforme o levantamento, 63% dos casos concentram-se na política municipal, envolvendo vereadores e prefeitos.
Em relação à letalidade dos ataques, 24 dos 28 episódios com intenção de matar foram consumados, o que inclui 10 dos 11 casos de assassinatos e 14 dos 17 atentados registrados.
Maiores ocorrências
O estudo aponta que as violências mais frequentes são:
Entre os estados com maior número de casos registrados estão São Paulo, com 67, Paraná, com 31, e Ceará, com 29. Apenas 9 dos 354 casos resultaram em alguma punição para o agressor.
Disque 180
Uma pesquisa realizada pelo Ministério da Mulher, com base nos dados da Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180), registrou 154 denúncias de violência política entre janeiro e agosto de 2026. Porém, o número de violações é maior (1.581), pois uma mesma denúncia pode conter mais de uma violação praticada pelo mesmo agressor. Janeiro foi o mês com o maior número de registros, com 263 violações, seguido por abril (249) e fevereiro (215).
O estado de São Paulo lidera o número de registros, com 430 denúncias. Na sequência aparecem Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina.
Das 1.564 denúncias, 842 (53,84%) são de mulheres negras (pretas e pardas), 590 (37,72%) de mulheres brancas e 132 (8,44%) de mulheres de outras raças/cores.
O levantamento encontrou denúncias de crimes como:
· ameaças de morte e estupro;
· ataques racistas e transfóbicos;
· vandalização de materiais de campanha;
· coação;
· misoginia;
· constrangimento;
· intimidação e deslegitimação de mulheres que ocupam ou disputam espaços de poder e decisão; e
· responsabilização judicial.
Os dados reforçam que a violência política segue atingindo, principalmente, mulheres e representantes em exercício, evidenciando um cenário de intimidação que compromete a participação política e o fortalecimento da democracia no país.
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