PF aponta série de encontros entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes entre 2024 e 2025

Um relatório da Polícia Federal aponta que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teria mantido uma série de encontros com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes entre 2024 e 2025. As informações constam de diálogos extraídos do celular do empresário e incorporados ao inquérito que apura as relações e a atuação do banqueiro.

As mensagens analisadas pela PF foram trocadas pelo WhatsApp entre março de 2024 e agosto de 2025. O aparelho de Vorcaro foi apreendido durante a Operação Compliance Zero.

O documento tornou-se público nesta terça-feira, 1º, após o ministro André Mendonça, relator do caso envolvendo o Banco Master no STF, determinar a retirada do sigilo do relatório.

Parte do material foi reunida pela Polícia Federal em um capítulo denominado "outros encontros entre DANIEL VORCARO e ALEXANDRE DE MORAES". Os diálogos envolvem, além do empresário, pessoas como o ex-ministro das Comunicações Fábio Faria, familiares de Vorcaro, sua companheira, assessores e funcionários.

Segundo a PF, as conversas fazem referência a compromissos particulares, reuniões em residências e encontros realizados tanto no Brasil quanto no exterior.

Em 13 de março de 2024, Fábio Faria e Vorcaro discutiram a possibilidade de uma conversa com Moraes, identificado nas mensagens como "Alex", para "tomar um whisky" no início da noite. O compromisso acabou sendo remarcado em razão de um conflito na agenda de Vorcaro.

Pouco mais de um mês depois, em 17 de abril, Faria solicitou o endereço da residência do empresário no Lago Sul, em Brasília, afirmando que repassaria a informação a "Alex" e apagaria as mensagens posteriormente.

Em 17 de julho de 2024, novas mensagens enviadas por Fábio Faria mencionam um encontro com "Alexandre", também chamado nas conversas de "Careca", previsto para aproximadamente 19h30.

Outro registro aparece em 5 de novembro daquele ano. Em conversa com a filha, Vorcaro escreveu: "To com alexandre moraes".

Já em 26 de fevereiro de 2025, um motorista que prestava serviço a Vorcaro em Brasília informou ao empresário que o "Min Alexandre chegou" à residência.

Os registros analisados pela Polícia Federal também apontam para um encontro em março de 2025. Nos dias 19 e 20 daquele mês, Vorcaro informou à companheira e a um diretor do Banco Central que estava reunido com o ministro. De acordo com o relatório, a reunião teria avançado pela madrugada do dia 20 e contado posteriormente com a chegada de parlamentares e outras lideranças políticas à residência.

Em 19 de abril, durante o feriado, Vorcaro comunicou que estava saindo para encontrar Alexandre de Moraes em um local próximo de sua residência. Segundo a PF, as mensagens indicam que o encontro teria ocorrido na região de Campos do Jordão, em São Paulo.

Dez dias depois, em 29 de abril, o banqueiro voltou a informar à companheira que estava reunido com "alexandre".

Em 21 de maio, outra mensagem atribuída a Vorcaro registra que ele estava em casa com "Ciro e alexandre". O documento apresentado pela Polícia Federal não altera o caráter das mensagens, que são tratadas no relatório como registros utilizados para reconstruir a agenda e as relações mantidas pelo empresário.

O último encontro mencionado no período destacado pela PF aparece em 8 de agosto de 2025. Na ocasião, Vorcaro afirmou em mensagens que deixaria de viajar naquele dia porque estava "c alexandre" antes de uma reunião com Ciro.

O relatório também analisa comunicações relacionadas a eventos internacionais. Entre elas estão tratativas envolvendo o Fórum Jurídico de Londres, realizado em abril de 2024 e patrocinado pelo Banco Master, além de discussões preliminares sobre uma edição prevista para 2025, que acabou cancelada.

Nas mensagens anexadas ao inquérito, assessores e outros interlocutores tratam de convites direcionados a autoridades, organização da programação dos painéis, transporte de ministros do Supremo Tribunal Federal e sugestões relacionadas à cobertura das atividades.

O conjunto de conversas faz parte do relatório encaminhado pela Polícia Federal ao Supremo Tribunal Federal. Após a retirada do sigilo determinada por André Mendonça, o material também foi enviado à Procuradoria-Geral da República (PGR) para manifestação.

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