Japão realiza primeira cirurgia cardíaca com células-tronco para tratar insuficiência grave

Um hospital de Osaka, no Japão, realizou na terça-feira (29) uma cirurgia cardíaca que utilizou lâminas de células-tronco para tratar um paciente com insuficiência cardíaca grave. Segundo a instituição, o procedimento é o primeiro do mundo desse tipo após a terapia passar a contar com cobertura do seguro público de saúde na região.

A técnica faz parte de uma estratégia de medicina regenerativa que busca melhorar a capacidade de bombeamento do coração em pacientes com comprometimento avançado da função cardíaca.

Células são produzidas a partir de tecnologia iPS

Em quadros graves de insuficiência cardíaca, o coração perde parte importante da capacidade de bombear sangue. Entre os sintomas estão cansaço, falta de ar e inchaço.

Para esses casos avançados, as alternativas tradicionalmente disponíveis incluem o transplante cardíaco e o uso de dispositivos de assistência ventricular. A indicação desses tratamentos, porém, é limitada pela disponibilidade de órgãos e pelas condições clínicas dos pacientes.

As lâminas utilizadas na nova técnica são formadas por células musculares cardíacas produzidas a partir de células iPS. Essas células podem ser obtidas após a reprogramação de células provenientes de tecidos como sangue ou pele.

O objetivo do tratamento é estimular a recuperação da função cardíaca e melhorar o bombeamento do órgão.

Procedimento foi realizado em hospital de Osaka

A cirurgia ocorreu no Hospital Osaka Keisatsu, em Osaka, sob liderança do cirurgião Yoshiki Sawa, que também é presidente da instituição.

Durante o procedimento, a equipe aplicou diretamente sobre a superfície do coração o produto biológico comercializado como RiHeart.

Segundo o hospital, a utilização da medicina regenerativa também ocorre em um contexto de escassez de doadores para transplantes de órgãos no Japão.

A expectativa dos médicos é que a técnica possa representar uma alternativa de tratamento para pacientes com insuficiência cardíaca grave que enfrentam limitações nas opções atualmente disponíveis.

Por se tratar de uma abordagem regenerativa, o procedimento busca atuar sobre a função do próprio coração, em vez de substituí-lo por meio de um transplante ou de um dispositivo de assistência.

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