Os registros de feminicídio apresentaram comportamentos diferentes nas regiões do estado de São Paulo nos primeiros oito meses de 2026. Enquanto a capital e a Grande São Paulo tiveram redução nos casos, o interior registrou aumento de 22,2% na comparação com o mesmo período do ano passado.
Na cidade de São Paulo, foram contabilizados 34 feminicídios entre janeiro e agosto deste ano, contra 41 em 2025. A redução foi de 17%, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP).
No interior, o movimento foi oposto. O número de casos passou de 90 para 110 no mesmo intervalo, uma diferença de 20 ocorrências e alta de 22,2%.
A Grande São Paulo também registrou queda. A quantidade de feminicídios caiu de 35 para 25 casos, redução de 28,6% no período analisado.
Prisões e apreensões por violência doméstica aumentam
Os dados da SSP também apontam crescimento no número de prisões e apreensões relacionadas à violência doméstica nas três regiões.
Na capital, foram 2.487 prisões ou apreensões entre janeiro e agosto de 2026, diante de 1.865 no mesmo período do ano anterior. O aumento foi de 33,4%.
Na Grande São Paulo, o total passou de 1.580 para 2.070, alta de 31%. Já no interior, foram registradas 10.286 prisões ou apreensões, contra 8.240 em 2025, crescimento de 24,8%.
Os números incluem prisões em flagrante e cumprimentos de mandados relacionados a agressores. Por isso, o aumento desses registros não deve ser interpretado isoladamente como indicador de crescimento ou redução da violência contra a mulher. Os resultados também podem refletir a atuação das forças de segurança e o volume de ocorrências que chegam às autoridades.
Estado mantém rede de atendimento e proteção
A redução dos feminicídios na capital ocorre em um cenário de ampliação de mecanismos destinados ao atendimento e à proteção de mulheres vítimas de violência.
De acordo com a SSP, o estado conta com 144 Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs), sendo 35 delas com funcionamento ininterrupto. Também existem Salas DDM instaladas em delegacias convencionais.
A Polícia Militar mantém ainda a Cabine Lilás, serviço que direciona para policiais femininas chamadas recebidas pelo 190 relacionadas a casos de violência doméstica. As agentes podem orientar as vítimas sobre medidas protetivas, direitos e serviços disponíveis.
Outra ferramenta é o aplicativo SP Mulher Segura, que permite o registro de boletins de ocorrência pela internet e reúne mecanismos de atendimento e proteção.
Cenário varia entre as regiões
Os dados dos oito primeiros meses de 2026 mostram que a evolução dos feminicídios não ocorreu de maneira uniforme no estado.
Enquanto a capital teve sete casos a menos e a Grande São Paulo registrou dez ocorrências a menos, o interior apresentou 20 casos a mais que no mesmo período de 2025.
A diferença entre os indicadores evidencia a necessidade de observar as características de cada região ao analisar os registros de violência contra a mulher, incluindo o acesso à rede de atendimento e aos mecanismos de proteção.
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