Conselho do MPF avalia possível investigação sobre Paulo Gonet

O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) irá decidir nesta sexta-feira, 25 de setembro, se abre ou não uma apuração sobre possível crime envolvendo o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Essa análise possui como base menções ao chefe do Ministério Público Federal (MPF) em trocas de mensagens com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigadas no caso Master.

Será avaliada a atuação de Gonet em:

  • Na condução de investigações sobre o banco;
  • Na prisão de Vorcaro;
  • Na condução das apurações relativas ao Banco Master.

Este caso é inédito no Conselho. Serão analisadas pelos nove integrantes as referências ao procurador-geral e se elas devem ser arquivadas ou se há elementos suficientes para aprofundar a apuração.

O caso

O procurador-geral da República vinha reunindo apoio de subprocuradores e da base do MPF desde que foram divulgadas as primeiras menções ao seu nome. Porém, uma publicação da foto de Gonet em uma confraternização ao lado de Vorcaro, em Londres, no Reino Unido, mudou o cenário e fez o chefe do MPF ser alvo de críticas internamente.

Na imagem, Vorcaro aparece sentado próximo a Gonet, que exibe um charuto nas mãos e está em frente a uma mesa com copos de uísque. Ela foi tirada em 2024, após a participação em um evento, porém foi enviada apenas em junho de 2025 pelo advogado Ciro Soares.

Sobre essa proximidade, Gonet afirmou que não teve relacionamento de proximidade com o ex-banqueiro e que a única ligação entre os dois foi “brevíssima e banal”.

Os aliados do procurador-geral dizem que, apesar das críticas e do desgaste, a maioria do Conselho deve votar pelo arquivamento do caso. Já os mais críticos à atual gestão apostam que Gonet pode ser alvo de questionamentos na sessão.

Julgamento

A sessão será presidida pelo vice-presidente do Conselho Superior do MPF, subprocurador-geral da República Nicolao Dino. Gonet não deve comparecer, por mais que seja o presidente do Conselho.

Já o vice-PGR, Hindenburgo Chateaubriand, participa da votação. Depois da abertura da sessão, a fala será do relator do procedimento, o subprocurador-geral da República Francisco Sanseverino. Logo após, será aberta a votação aos conselheiros, seguindo a ordem do mais novo para o mais antigo.

Se a maioria dos conselheiros entender que há indícios que devem ser investigados, um subprocurador-geral da República será designado para analisar os dados e verificar a possível existência de crime. Após a conclusão da análise, o subprocurador apresentará o relatório ao Conselho. Se forem identificados indícios de crime, esses fatos serão encaminhados ao Supremo Tribunal Federal (STF), que irá decidir se haverá a abertura de um inquérito.

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