Cármen Lúcia recusa assumir casos de ministros citados em investigação sobre Vorcaro

A ministra Cármen Lúcia recusou, a possibilidade de assumir os casos que envolvem integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) mencionados na investigação relacionada ao banqueiro Daniel Vorcaro.

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, teria tentado convencer Cármen Lúcia a assumir a análise de parte do material que reúne referências a outros integrantes da Corte. A ministra teria rejeitado a missão e reagido com a expressão “Deus me livre”.

O trecho do inquérito sob responsabilidade de Fachin menciona quatro ministros: Alexandre de Moraes, Kassio Nunes Marques, Dias Toffoli e Luiz Fux.

Fachin passou a concentrar material envolvendo ministros

A movimentação ocorre depois que Fachin assumiu a condução de procedimentos relacionados ao caso envolvendo Moraes e Vorcaro. Em decisão de 12 de setembro, o presidente do STF determinou a troca da relatoria do procedimento que apura a relação entre o ministro e o ex-banqueiro, retirando o caso de André Mendonça.

A decisão também determinou o envio ao gabinete de Fachin das investigações relacionadas ao Banco Master e a outros procedimentos, além de estabelecer que medidas destinadas a apurar integrantes da Corte deveriam ser submetidas ao presidente do Supremo.

Outros ministros também não demonstrariam interesse

Outros ministros consultados teriam demonstrado disposição semelhante à de Cármen Lúcia e não estariam interessados em assumir a análise das menções aos integrantes do tribunal.

Com isso, caberia ao próprio Fachin definir como será conduzido o material que cita os ministros.

Divergências internas marcam condução do caso

O episódio ocorre em meio a divergências entre ministros sobre a condução das investigações envolvendo Daniel Vorcaro e integrantes do Supremo.

Em setembro, Fachin assumiu a relatoria de procedimentos relacionados ao caso e também retirou Alexandre de Moraes da condução do inquérito das fake news. Na ocasião, o presidente da Corte suspendeu decisões conflitantes de André Mendonça e Flávio Dino relacionadas ao comando da Polícia Federal.

A situação também levou o STF a discutir como devem ser analisados, de forma separada ou conjunta, os procedimentos que envolvem ministros da própria Corte. O julgamento sobre a tramitação dos casos de Alexandre de Moraes e André Mendonça chegou a ser suspenso após pedido de vista de Flávio Dino.

Relação entre Fachin e Dino também é citada

Fachin e Flávio Dino teriam deixado de se comunicar diretamente após divergências relacionadas à condução das investigações. Cristiano Zanin passou a atuar como interlocutor entre os dois.

Essas informações, assim como os relatos sobre conversas internas e reações individuais dos ministros, são atribuídas à apuração jornalística e não foram apresentadas no material como manifestações oficiais do STF.

O caso permanece relacionado às investigações envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro, cujos desdobramentos vêm provocando diferentes decisões e discussões sobre a atuação de ministros do Supremo.

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