A Secretaria Municipal da Saúde de Canoas promoveu, na manhã desta quinta-feira (24), uma palestra voltada à prevenção do suicídio e à promoção da saúde mental entre servidores da Prefeitura. A atividade, realizada no Auditório Sady Schivitz, integrou a programação do Setembro Amarelo.
Com o tema “Suicídio: um problema de saúde pública”, o encontro foi conduzido pela psicóloga Cristiane Mertins, do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest), que também é especialista em intervenções psicológicas em situações de luto.
A proposta foi ampliar o diálogo sobre saúde mental e abordar os tabus que ainda cercam o suicídio, além de reforçar a importância da prevenção, do acolhimento e do acesso à rede de atenção à saúde.
Palestra aborda mitos e sinais de sofrimento
Durante a atividade, Cristiane Mertins apresentou informações sobre o suicídio como questão de saúde pública, discutiu mitos relacionados ao tema e destacou a importância de reconhecer sinais de sofrimento emocional.
A psicóloga também explicou que a forma como uma pessoa em sofrimento é acolhida pode influenciar sua disposição para buscar ajuda. Segundo ela, profissionais e integrantes da comunidade podem contribuir para a prevenção por meio da escuta, do acolhimento sem julgamentos e do encaminhamento para os serviços de saúde quando necessário.
“É importante compreender o suicídio para além dos mitos e preconceitos que o cercam. A maneira como enxergamos esse fenômeno influencia diretamente a forma como lidamos com alguém que está em sofrimento.”
Acolhimento pode ajudar na busca por atendimento
Cristiane ressaltou que não é necessário ser profissional da saúde para oferecer apoio a alguém que manifesta pensamentos suicidas. Ouvir sem julgamentos e auxiliar a pessoa na busca por atendimento, inclusive em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), são atitudes destacadas durante a palestra.
A psicóloga também chamou atenção para a importância de levar a sério manifestações relacionadas ao desejo de tirar a própria vida e de acionar a rede de atenção adequada.
“A prevenção passa pela capacidade de escutar e acolher sem julgamentos.”
Cuidado também alcança familiares e colegas
Outro ponto abordado foi a chamada pósvenção, conjunto de ações voltadas ao cuidado de pessoas afetadas por uma morte por suicídio.
De acordo com Cristiane, os impactos não ficam restritos à pessoa que morreu e podem alcançar familiares, amigos e colegas de trabalho. Por isso, o acompanhamento e o acolhimento das pessoas afetadas também fazem parte das estratégias de cuidado.
A gestora da Vigilância em Saúde do Trabalhador, Fabíula Lucena, destacou que criar espaços de conversa é uma forma de ampliar a conscientização sobre o tema.
“Setembro Amarelo é um período importante para falarmos sobre saúde mental e prevenção do suicídio. É um tema que ainda envolve muitos tabus, mas precisamos ampliar essa conversa e conscientizar as pessoas.”
A atividade integra as ações de conscientização realizadas durante o Setembro Amarelo em Canoas, com foco na prevenção, no acolhimento e na valorização da saúde mental.
Foto: Joshua Straccioni/PMC
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