A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, também atingiu o diretor de Inteligência da corporação, delegado Leandro Almada.
As medidas foram divulgadas nesta terça-feira (8) e representam mais um capítulo da crise instalada no STF após Mendonça determinar a retirada do sigilo de relatórios da Polícia Federal relacionados a supostas trocas de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Almada ganhou projeção nacional por sua atuação nas investigações relacionadas às mortes da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, assassinados a tiros no Rio de Janeiro em março de 2018.
Atuação no caso Marielle levou delegado à projeção nacional
O delegado integrou o grupo de policiais federais criado para investigar o assassinato de Marielle e Anderson. A força-tarefa foi formada em 2023, por determinação do governo federal, para aprofundar a apuração do crime.
A investigação concluída pela PF em 2024 apontou que integrantes da Polícia Civil do Rio de Janeiro teriam atuado para dificultar a identificação e a responsabilização dos envolvidos no assassinato.
O trabalho de Almada concentrou-se, segundo as investigações, na apuração de mecanismos que teriam contribuído para impedir o avanço do caso durante anos.
Os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão foram apontados pela PF como mandantes do crime, que teria sido executado pelo ex-policial militar Ronnie Lessa.
A investigação também apontou o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa, como suspeito de ter atuado para dificultar as apurações.
Os irmãos Brazão e Rivaldo Barbosa negam participação no crime.
O caso tramita no STF sob relatoria de Alexandre de Moraes, que atualmente está no centro do conflito institucional com André Mendonça.
Almada comandou a PF no Rio de Janeiro
Além da atuação no caso Marielle, Leandro Almada comandou a Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro entre 2023 e 2024. Antes disso, também esteve à frente das superintendências da corporação no Amazonas e na Bahia.
Durante o período em que chefiou a PF no Rio, foram realizadas operações de combate ao crime organizado relacionadas ao cumprimento de determinações do STF no âmbito da ADPF 635, conhecida como “ADPF das Favelas”.
Algumas dessas operações atingiram o então governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL).
Decisão de Mendonça cita relatórios de inteligência
Na decisão que determinou os afastamentos, André Mendonça relacionou a medida contra Almada à elaboração de relatórios de inteligência que, segundo o ministro, teriam ultrapassado as atribuições legais da Polícia Federal.
Entre os elementos mencionados está a atuação da corporação na produção de informações relacionadas a autoridades e investigações.
A decisão ocorre em meio à análise de documentos da PF que passaram a ser discutidos publicamente após Mendonça retirar o sigilo de relatórios relacionados às comunicações atribuídas a Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.
Relatório apontou diferenças nos prazos de decisões
Um relatório de inteligência mencionado por Alexandre de Moraes na semana anterior apontou diferenças entre os prazos utilizados por Mendonça para analisar pedidos de diligências da PF.
Segundo o documento, o ministro teria levado até 75 dias para autorizar uma diligência envolvendo Cláudio Castro, enquanto teria levado nove dias para deferir um pedido relacionado ao senador e ex-líder do governo no Senado Jaques Wagner (PT-BA).
O conteúdo passou a integrar o conflito entre os ministros e a discussão sobre a atuação de Mendonça em investigações relacionadas ao Banco Master e a outras autoridades.
Afastamento será analisado pela Segunda Turma
As decisões de afastamento de Leandro Almada e Andrei Rodrigues estão sendo submetidas à análise da Segunda Turma do STF.
Até o momento, os ministros Kássio Nunes Marques e Luiz Fux votaram pela manutenção das medidas determinadas por André Mendonça. O julgamento foi suspenso após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.
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