Uma mensagem encontrada no celular de Daniel Vorcaro chama atenção diante das declarações mais recentes do banqueiro sobre o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Meses antes de afirmar, em depoimento, que possuía informações envolvendo autoridades e citar o chefe da PF ao falar de uma tentativa frustrada de colaboração, Vorcaro já mencionava “Andrei” em um contexto delicado.
Era 30 de outubro de 2025.
Em uma anotação feita no celular, Vorcaro dizia ter recebido informações de pessoas do Banco Central de que havia pressão da Polícia Federal e do Ministério Público para que alguma medida fosse tomada contra ele.
Na sequência, escreveu:
“É importante reforçar com Andrei e Paulo pra nao deixar ninguem de baixo fazer uma sacanagem que ai vai tudo pro saco.”
Vorcaro ainda dizia estar disponível para “tratar e explicar” qualquer coisa e afirmava que enviaria nomes de pessoas que estariam indo ao Banco Central dizendo que algo aconteceria em breve.

Quem seriam “Andrei” e “Paulo”?
Essa pergunta também foi feita pelos investigadores.
Mais adiante, na página 199 do relatório, a própria Polícia Federal registra que “Andrei” pode ser uma referência a Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, enquanto “Paulo” pode se referir ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Ou seja: não se trata apenas de tentar adivinhar quem Vorcaro estava citando. A própria equipe responsável pela análise fez essa associação.

A mensagem ganha peso agora porque Vorcaro passou a citar Andrei Rodrigues quando falou sobre sua tentativa de colaborar com as autoridades.
Em sua versão, o banqueiro disse possuir informações sobre políticos e autoridades e relacionou o diretor-geral da PF aos fatos que pretendia relatar.
Isso cria uma pergunta inevitável: por que, antes de ser preso, Vorcaro acreditava que era importante “reforçar com Andrei” justamente quando dizia existir pressão da Polícia Federal contra ele?
O relatório não responde.
Relação aparece antes, em eventos de Londres
O nome de Andrei também aparece em conversas mais antigas encontradas no celular.
Em abril de 2024, Fábio Faria encaminhou a Vorcaro mensagens sobre a possibilidade de convidar o diretor-geral da PF para um evento em Londres.
Em uma delas aparece:
“O que acha de eu convidar o DPF Andrei”
Logo depois:
“Aí fechamos o PGR e o DPF”.
Mais tarde, outra mensagem informa:
“Podem entrar em contato lá na PF. Ele aceitou”.

As conversas continuam.
Em outro trecho, Vorcaro afirma a um contato salvo como “Marcio Conjur”: “Ministro fez convite ao andrei PF”.
Pouco depois, surge uma mensagem atribuída a uma assistente do diretor-geral perguntando se os organizadores cobririam passagem e hospedagem.
A resposta foi direta: “Todas as despesas bancadas por nós”.

E a aproximação em torno dos eventos não aparece apenas em 2024.
Em julho de 2025, uma funcionária de Vorcaro escreveu:
“O Andrei PF precisa de um Convite formal para aceitar Londres”.
Perguntou se o Grupo Voto poderia encaminhar o documento.
Vorcaro respondeu:
“Pode”.

O que o relatório mostra — e o que não mostra
Os documentos não provam que Andrei Rodrigues tenha atendido a qualquer pedido de Vorcaro ou interferido em investigação.
Também não aparece, nesse relatório, uma conversa direta de WhatsApp entre os dois. A própria PF informou que não encontrou no aparelho de Vorcaro um contato salvo como “Andrei” ou “Andrei Passos”.
O que existe é outra coisa: Vorcaro falava de Andrei como alguém próximo o suficiente para ser citado em convites, eventos e, mais tarde, em uma mensagem sobre a pressão que ele dizia sofrer da própria Polícia Federal.
Agora, depois de o banqueiro também mencionar o diretor-geral ao falar de sua tentativa de colaboração, essa sequência passa a exigir explicações.
A principal pergunta permanece simples: o que Vorcaro queria dizer quando escreveu que era preciso “reforçar com Andrei” para impedir que alguém “de baixo” fizesse uma “sacanagem”?
Essa resposta ainda não aparece no relatório.





