Durante uma coletiva de imprensa em Nova Délhi, na Índia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou sobre a colaboração do tenente-coronel Mauro Cid, enfatizando que ela reforça a suspeita de uma tentativa de golpe de Estado no Brasil, com a sugestão de que o ex-presidente Jair Bolsonaro estava profundamente envolvido no episódio. Lula admitiu que não estava ciente dos detalhes da colaboração e, portanto, se absteve de fazer especulações sobre algo que desconhecia. O acordo foi estabelecido com a Polícia Federal e validado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes no último sábado. No entanto, Lula destacou que considera Mauro Cid altamente comprometido com os acontecimentos em questão.
O presidente declarou: “Eu não conheço o conteúdo da delação, não posso opinar sobre algo que desconheço. Apenas o delegado e o tenente-coronel que prestou depoimento têm esse conhecimento. O restante é pura especulação. Eu acredito que ele esteja profundamente envolvido nisso. Com o tempo, as coisas vão se esclarecer, e teremos certeza de que havia uma tentativa de golpe e que o presidente Bolsonaro estava profundamente envolvido nela.” Além disso, Lula acusou Bolsonaro de ser responsável por alguns dos eventos negativos ocorridos no Brasil e de dar prioridade à venda de ativos valiosos. Mauro Cid está sob investigação em um inquérito da Polícia Federal que apura um suposto esquema de desvio de relógios e joias do acervo presidencial.
O tenente-coronel foi libertado no sábado passado do Batalhão da Polícia do Exército, em Brasília, onde estava detido desde 3 de maio. Sua soltura foi autorizada por decisão de Moraes, após um pedido da defesa, que alegou não haver razões para a manutenção da prisão preventiva. No entanto, a liberação ocorreu sob certas condições, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar noturno e afastamento de suas funções como oficial do Exército.
Foto: Ricardo Stuckert