Symmy Larrat: ausência que desampara

A ausência da secretária nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIAPN+, Symmy Larrat, na conferência em defesa das pautas da nossa comunidade — agravadas pela catástrofe político-ambiental — gerou protestos e repúdio consensual entre ativistas e lideranças que cobram respostas urgentes para demandas pendentes há quase dois anos.

Como coordenador, estive à frente do SOS RS Diversidade. Reuni-me online com a secretária e, depois, durante nossa Conferência Estadual LGBT+. Mantive contato com sua assessoria ao longo de 2025. Tivemos dificuldades de agendamento, em razão dos compromissos de Symmy Larrat com conferências estaduais pelo Brasil e viagens internacionais.

No final do ano, porém, Mariana Jorge, responsável pela agenda de Larrat, informou que ela estaria em condições de agendar uma reunião conosco, no máximo, até abril deste ano. No fim de janeiro, Mariana me trouxe uma boa notícia: Symmy Larrat confirmava presença conosco no dia 5 de março, quando também cumpriria outros compromissos no Rio Grande do Sul.

Na semana anterior ao evento, tivemos um contratempo: o Cubo da OAB, que “estava garantido” e havia sido solicitado há um mês, não foi liberado. A correria foi grande, com esforços de todos os ativistas para encontrar uma alternativa. E fomos salvos pelo parceiro de luta, incansável, vereador Giovani Culau, que conseguiu as salas 301 e 303 da Câmara, com toda a estrutura necessária para o evento.

Passei minhas pretensas férias em Búzios trabalhando online, com a força da ONG Desafios, do Conexão Diversidade e de demais integrantes do movimento. Na terça-feira, depois de tudo confirmado e divulgado, Mariana Jorge me deu a notícia de que a secretária teria conflito de agenda no estado e, por isso, não atenderia nossa conferência.

Ponderei a Mariana que as pautas mais importantes e urgentes da diversidade gaúcha estariam presentes na conferência, buscando aquilo que é fundamental para qualquer política pública: os dados estatísticos, por meio do mapeamento, bem como o acesso ao fundo bilionário de reconstrução — que segue parado com o governador Leite — para atender necessidades de moradia, saúde, empregabilidade, entre outras.

A conferência aconteceu com a ausência de Symmy Larrat

Na intervenção de abertura, Sara Gonçalves, a Sarita, coordenadora do Moradia LGBT+ RS, deu o tom dos debates. Com veemência, protestou pelo ocorrido, frisando que esse abandono era inadmissível. Daniel Passaglia, também integrante desse coletivo, afirmou que não é de hoje que a secretária vira as costas para a sofrida diversidade gaúcha, sobrevivente sem recursos após a tragédia das cheias.

Esse foi um dos focos dos protestos das lideranças. Bianca Hilgert reafirmou que há “travestis debaixo de pontes em Canoas”. Regininha, vereadora, também manifestou seu protesto, afirmando que, em Rio Grande, a situação é a mesma, mas ressaltando que o mais importante éramos nós, presentes no encontro.

Marcelly Malta fez um veemente pronunciamento como liderança da ONG Igualdade-RS, que esteve desde o início ao lado do nosso movimento, e reivindicou maior atenção da Secretaria Nacional LGBT+ à população trans e travesti.

Como coordenador, sigo diplomático com a secretária nacional de nossos direitos, mas tenho o dever de ser porta-voz das contundentes e fundamentadas reivindicações dos participantes do movimento SOS RS Diversidade, que contou com a presença de representações de Lajeado e do Vale do Taquari. Ainda nos dói saber que Symmy Larrat já não estava mais em agenda na Paraíba — conforme a desculpa apresentada no modo IA do Google —, mas se encontrava em Porto Alegre. Ela alegou que a Câmara estava na contramão do seu trajeto.

Ainda assim, saímos mais fortes e mais unidos como coletivo apartidário, representativo de nossa sociedade civil colorida, com lideranças de todas as regiões atingidas pela tragédia ambiental de 2024.

Reivindicamos que a secretária Symmy Larrat nos receba em comitiva, em Brasília, e nos dê os recursos necessários para debatermos estratégias firmes de enfrentamento e resolutividade para nossas demandas.

Entendemos que nossos propósitos, enquanto defesa de políticas públicas, se estendem ao Brasil inteiro, pois tragédias semelhantes vêm acontecendo em outras regiões do país, como em Minas Gerais. Como coordenação do SOS RS Diversidade, saí satisfeito pelo reconhecimento obtido e pela realização deste encontro, que fortaleceu nossas lutas. Avante!

 

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Gaio Fontella
Gaio Fontellahttps://realnews.com.br/category/opiniao/blog-do-gaio/
Gaio Fontella – Psicólogo e psicanalista, graduado e pós-graduado pela UFRGS. É comentarista e produtor do canal Café com Análise, no YouTube, e atua como coordenador da ONG Desafios, em Porto Alegre.
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