Odesson Ferreira, sobrevivente do acidente com Césio-137 em Goiânia, afirmou que a produção “Emergência Radioativa”, da Netflix, desrespeita a memória de sua família e distorce os fatos reais. Aos 71 anos, ele acusa a série de transformar uma das maiores tragédias radiológicas do Brasil em entretenimento sensacionalista.
Segundo Ferreira, a obra ignora o sofrimento vivido por vítimas diretas, como seus irmãos Devair e Ivo, mortos após a contaminação. Ele também aponta que a narrativa altera acontecimentos históricos para aumentar o drama, deixando em segundo plano o impacto humano e social do episódio.
A produção, lançada em março de 2026, retrata o desmonte de um aparelho de radioterapia em um ferro-velho — evento que resultou na liberação do material radioativo césio-137, causando quatro mortes diretas e afetando centenas de pessoas. Para o sobrevivente, a abordagem adotada prioriza elementos ficcionais em detrimento da precisão histórica, o que, segundo ele, fere a memória de vítimas como Leide das Neves Ferreira.
A Associação das Vítimas do Césio-137 também criticou a série, destacando a falta de diálogo com os atingidos e o fato de as gravações não terem sido realizadas em Goiânia, local da tragédia.
Apesar das críticas, a repercussão da série reacendeu discussões sobre indenizações às vítimas. Como consequência, o governo de Goiás anunciou o reajuste de 70% nas pensões destinadas aos afetados. Entre os sobreviventes, as opiniões se dividem: enquanto alguns consideram positiva a visibilidade do caso, outros veem na produção uma forma de desrespeito à memória coletiva.





