O silêncio típico das manhãs de domingo no Centro Histórico foi substituído pelo som potente dos motores. Centenas de motociclistas se reuniram para uma motociata de conscientização, transformando o trajeto entre a Praça da Matriz e as principais vias da capital em um manifesto sobre duas rodas contra a violência doméstica.
A concentração final foi cenário em frente ao Palácio Piratini e à Assembleia Legislativa já indicava a magnitude do evento. Motociclistas de diversos motoclubes alinharam suas máquinas — de modelos esportivos de alta cilindrada a motos de passeio — criando um corredor de metal e cores sob as árvores da praça.
O ponto focal da concentração foi um caminhão-tanque estrategicamente posicionado, exibindo a campanha “Denuncie 180 190 – #NãoSilencie”. A imagem impactante de uma mulher silenciada serviu como o “bandeirazo” moral para o início do percurso.
A escolha de Porto Alegre para a motociata não foi casual. A capital tem sido o epicentro de campanhas educativas que buscam reduzir os índices de feminicídio no estado. Ao unir a cultura do motociclismo — marcada pela liberdade e pela irmandade — à causa da proteção à mulher, os organizadores conseguiram furar a bolha dos debates tradicionais e levar a pauta para as ruas de forma direta e ruidosa.
O evento encerrou-se com a promessa de novas edições, consolidando a categoria dos motociclistas como uma aliada ativa na rede de proteção social do Rio Grande do Sul.





