A proximidade do encerramento do ano costuma provocar mudanças sutis na dinâmica de trabalho das equipes. Em muitos ambientes corporativos, o mês de dezembro é marcado por redução de ritmo, queda de engajamento e oscilações na disciplina operacional, mesmo com metas ainda em andamento ou recém-concluídas. Levantamento da consultoria Fisher HR indica que o retorno após períodos prolongados de descanso ou ciclos intensos de trabalho tende a ser acompanhado por queda de concentração e produtividade, especialmente quando há acúmulo de cansaço ao longo do ano, o que pode impactar o desempenho nos primeiros meses do ciclo seguinte.
Pesquisas sobre engajamento no trabalho também ajudam a contextualizar esse cenário. Estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), em parceria com a Flash, aponta que apenas 39% dos profissionais brasileiros se declaram engajados, índice que representa o menor patamar da série histórica. Segundo a análise, a queda no engajamento está relacionada a desafios de produtividade e desempenho nas organizações.
Esse processo de desaceleração tende a ocorrer de forma gradual, manifestando-se na diminuição da participação em reuniões, na perda de iniciativa e na dificuldade de manter o foco nas atividades remanescentes. “Quando não identificado a tempo, o impacto se estende para o início do ano seguinte, transformando janeiro em um período de retomada lenta, com reflexos sobre a produtividade do primeiro trimestre”, explica Denise Joaquim Marques, consultora de negócios especializada em Vendas e Marketing, com foco em estratégias de alta performance, liderança comercial e diferenciação de mercado.
Análises na área de liderança e gestão de pessoas indicam que equipes que encerram o ano com baixo nível de engajamento tendem a levar mais tempo para recuperar ritmo, clareza de prioridades e alinhamento estratégico. Estudos sobre comportamento organizacional associados ao chamado post-holiday slump apontam que o retorno ao trabalho após períodos de desgaste acumulado ou pausas prolongadas costuma ser marcado por queda de foco e energia, fazendo com que as primeiras semanas do novo ciclo sejam dedicadas à recomposição de processos e da motivação interna, em vez de à aceleração de resultados.
Por outro lado, análises sobre engajamento no trabalho mostram que a desaceleração no fim do ano não é um movimento inevitável. Dados do relatório State of the Global Workplace, da Gallup, indicam que níveis mais altos de engajamento estão associados a melhor produtividade e desempenho organizacional ao longo do tempo. Nesse contexto, a condução do período final do ciclo é tratada como estratégica por profissionais da área, já que o engajamento mantido em dezembro tende a influenciar a performance nos meses subsequentes.
“Ações como realinhamento de expectativas, revisão objetiva de prioridades e reforço de direcionamento são apontadas como medidas capazes de preservar o senso de propósito até o encerramento do ano”, destaca Denise.
Esses ajustes, quando realizados de forma clara e proporcional, contribuem para que as equipes concluam o ciclo com maior percepção de continuidade, reduzindo o impacto da transição entre anos. “A ausência desse acompanhamento, por outro lado, tende a ampliar o esforço necessário para retomar o ritmo no início do novo período”, completa a especialista.
Assim, o encerramento do ano é frequentemente tratado por especialistas como um fator determinante para o desempenho futuro das equipes, influenciando não apenas os resultados finais do ciclo atual, mas também a capacidade de iniciar o ano seguinte em condições mais favoráveis.



