Poucos profissionais ajudaram a construir a memória afetiva do audiovisual brasileiro de forma tão profunda quanto Ricardo. Dono de uma das vozes mais reconhecíveis do país, ele deu vida, emoção e identidade a personagens e atores que atravessaram gerações, consolidando a dublagem como parte essencial da cultura pop no Brasil.
Em Hollywood, foi por meio de sua voz que o público brasileiro ouviu estrelas como Richard Gere, Tom Cruise, Al Pacino e Nicolas Cage. Mais do que traduzir fal falas, Ricardo reinterpretou emoções, respeitando nuances, silêncios e intenções, tornando esses atores ainda mais próximos do público nacional.
No universo das animações e séries, sua versatilidade ficou evidente em personagens icônicos como Benson, de Apenas um Show; o heróico Capitão Planeta, símbolo de uma geração engajada; e Albafica de Peixes, de Os Cavaleiros do Zodíaco: The Lost Canvas, personagem marcado por intensidade emocional e tragédia. Já nas novelas, sua voz eternizou Carlos Daniel, protagonista da mexicana A Usurpadora, sucesso absoluto na televisão brasileira.
Ricardo não apenas dublou personagens: ele ajudou a formar repertório cultural, influenciou novos profissionais e elevou o padrão artístico da dublagem no país.
Hoje, no entanto, a voz que embalou tantas histórias enfrenta um dos maiores desafios de sua trajetória pessoal: Ricardo convive com a ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica).
O que é a ELA?
A Esclerose Lateral Amiotrófica é uma doença neurodegenerativa rara, progressiva e irreversível que afeta o sistema nervoso. Tornou-se mundialmente conhecida pelo caso do físico Stephen Hawking e pelo impacto do Desafio do Balde de Gelo (Ice Bucket Challenge), que chamou atenção para a doença e para a importância da pesquisa científica.
O que acontece no corpo?
A ELA ataca os neurônios motores, responsáveis por transmitir os comandos do cérebro aos músculos. Com a morte progressiva dessas células:
Os músculos voluntários deixam de responder, comprometendo braços, pernas e tronco.
Com o avanço da doença, são afetadas funções vitais como falar, engolir e respirar.
Principais sintomas
Os primeiros sinais costumam ser sutis e variam entre os pacientes:
Fraqueza nas mãos ou nos pés, com dificuldade para segurar objetos ou tropeços frequentes.
Cãibras e contrações musculares involuntárias (fasciculações).
Fala arrastada e dificuldade para engolir.
Um aspecto especialmente marcante da ELA é que, na maioria dos casos, a mente permanece intacta. O paciente continua consciente, lúcido e com plena capacidade intelectual, enquanto o corpo perde, gradualmente, os movimentos.
Causas e diagnóstico
Causas: Cerca de 90% dos casos são classificados como ELA esporádica, sem causa conhecida. Os outros 10% têm origem genética.
Diagnóstico: É complexo e pode levar tempo, já que os sintomas se confundem com outras doenças neurológicas. Exames como a eletroneuromiografia são fundamentais para confirmar a degeneração dos neurônios motores.
Enquanto enfrenta a ELA, Ricardo carrega consigo um legado imensurável. Sua voz segue viva na memória coletiva, ecoando em filmes, animações e novelas que continuam emocionando o público. Mais do que um dublador, ele é parte da história cultural do Brasil — e sua trajetória reforça a importância de dar visibilidade à ELA, à pesquisa científica e ao apoio aos pacientes que convivem com a doença.



