Que nossas façanhas não sirvam de modelo a toda terra

Quando pensei que Novo Hamburgo iria se levantar das cinzas impostas pelos decretos ditatoriais e covardes do (Des)governo de Estado, a esquerdopatia acaba ecoando através da própria população afetada.

Por um momento, houve esperança em assistir aos trabalhadores da cidade unidos e exigindo do governo a flexibilização das medidas severas contra o povo que sustenta a máquina, mas o autor do manifesto vacilou por conta de um “manifesto contra o ato de abertura dos comércios”. Um ato jamais visto antes: o povo contra o próprio povo?  Nesse ato de horror, o governo deve estar se esbaldando nessa ladainha que terá graves consequências, talvez, irreversíveis.

Vamos entender o curso da história: primeiro houve um chamamento pelo Sindilojas de Novo Hamburgo para uma carreata programada para sexta-feira (05) com um trajeto programado para reivindicar abertura do comércio.

Foto: arquivo pessoal. Cartaz de convidativo para carreata pela abertura do comércio, em Novo Hamburgo, pelo Sindilojas

O ato ocorreria com as medidas de segurança que estão sendo tomadas desde o começo da “pandemia chinesa”; portanto, sem pânico e histeria que impedissem o manifesto. Mas um contra manifesto, sórdido e inescrupuloso, foi organizado com intuito de barrar o ato de abertura do comércio. O contra manifesto adveio de movimento da própria população que escrachou, nas redes sociais, o Sindilojas. Este, ao meu ver, covardemente, cedeu ao infame anseio daqueles que provavelmente não sabem o que é sobreviver com um salário mínimo de modo a viver a incerteza do dia de amanhã. Os decretos se repetem ao bel prazer, da noite para o dia, sem oportunidade nem mesmo de os comerciantes se organizarem em relação aos seus produtos.

Foto: arquivo pessoal. Nota de desistência da carreata em postagem na página do Facebook do Sindilojas Novo Hamburgo

Como pode se deixar levar por uma parcela da população que não parece ter consciência das necessidades do próximo? Apenas um contra manifesto nas redes sociais foi suficiente para barrar um manifesto legítimo em prol da vida de milhares de trabalhadores que poderão não ter mais emprego devido a falta de giro capital.

Abutres assistindo de suas sacadas de luxo a decadência alheia, deliciando-se diante de um sofrimento; enquanto comem sushi ou burger gourmet vindo da tele-entrega, sem pensar na saúde do motoboy, pregam que suas ações é que são em prol do bem coletivo.

Bem-vindos à ditadura do politicamente correto.

Isso tem nome: hipocrisia!

A frouxidão de um sindicato com seus empresários e trabalhadores é estarrecedora diante de um cenário de prédios falidos com placas de “aluga-se” enfileirados e pessoas pedindo comida nas sinaleiras para poder dar um prato de alimento aos seus filhos em casa, sem aulas, emburrecidos pelas estratégias de dominação da massa.

Essa parcela da população que não aceitou a carreata deveria doar a metade dos seus gordos salários a quem necessita, mas falar nisso é de extrema ingenuidade da minha parte, pois partem da premissa da psicopatia alimentando o inimigo esquecendo que esse veneno irá se voltar contra eles mesmos um dia. É a lei da instalação do comunismo.

Deixo aqui minhas condolências ao povo gaúcho que perdeu sua energia aguerrida e não serve mais de exemplo para nenhuma terra.

 

Carina Belomé

Jornalista, conservadora, patriota e não adepta do politicamente correto.

Instagram @carinabelome38