A atuação do Projeto Ar, Água e Terra com aldeias Guarani na preservação e recuperação ambiental do Rio Grande do Sul acaba de ganhar novos indicadores de impacto. Dados atualizados do trabalho desenvolvido pelo Instituto de Estudos Culturais e Ambientais (IECAM) com dez comunidades indígenas no estado, com patrocínio da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental, mostram que, nos últimos anos, as áreas em recuperação ambiental triplicaram — passando de dez para mais de 30 hectares, enquanto as áreas em reconversão produtiva cresceram de cinco para mais de 26 hectares.
Tomando como referência os números apresentados pelo Projeto em janeiro de 2024, a iniciativa também registra avanço expressivo no plantio e na produção de mudas de espécies nativas. A partir deste comparativo, o número de mudas plantadas nas aldeias participantes dobrou: passou de 30 mil para mais de 60 mil, enquanto a produção nos viveiros comunitários avançou de 20 mil para mais de 30 mil mudas.
Outro dado que reforça a dimensão do trabalho é a consolidação territorial alcançada nas dez aldeias participantes. Juntas, elas somam hoje 3.409 hectares, dos quais 3.281 hectares permanecem conservados — o equivalente a mais de 96% da área total dessas dez aldeias. Esse dado retrata a atuação das comunidades indígenas na proteção dos biomas Pampa e Mata Atlântica no território gaúcho. “O que esses números revelam é a força do protagonismo indígena na gestão de seus territórios. Não se trata apenas de preservar, mas de cuidar, produzir e manter vivo um sistema que integra floresta, água, terra e saberes ancestrais”, afirma Denise Wolf, coordenadora do Projeto.
Na percepção das próprias lideranças Guarani, os efeitos desse cuidado já são visíveis no cotidiano das aldeias. “Hoje, depois que a mata cresceu, os animais estão voltando […] temos erva-mate, frutas nativas, remédios. Assim, as pessoas ficam com mais saúde porque o espírito fica mais feliz”, afirma o cacique José Cirilo Pires Morinico, da Teko’a Anhetenguá (Aldeia da Verdade), em Porto Alegre.
Mais do que uma iniciativa de restauração ao ecossistema, o Projeto Ar, Água e Terra articula a valorização dos saberes tradicionais Guarani, a reconversão produtiva, a segurança alimentar, o viveirismo, a educação etnoambiental, o fortalecimento da autonomia das comunidades e a gestão sustentável de seus territórios. A metodologia é construída de forma participativa entre as equipes indígenas e não indígenas, com protagonismo das comunidades na definição de demandas, prioridades e soluções.
Nesse contexto, os resultados apresentados pela iniciativa ajudam a consolidar um entendimento cada vez mais relevante no debate socioambiental: povos indígenas não apenas preservam seus territórios, mas também desempenham papel estratégico na recuperação da biodiversidade e na construção de modelos sustentáveis de uso da terra. No caso das aldeias Guarani envolvidas no Projeto, essa atuação se expressa tanto na manutenção de extensas áreas conservadas quanto na ampliação concreta das frentes de restauração e produção.
Ao transformar saberes tradicionais Guarani em resultados ambientais mensuráveis, o novo balanço do Projeto Ar, Água e Terra reforça a importância das comunidades indígenas como aliadas centrais na preservação dos biomas gaúchos.







