O nome de Walter Kannemann voltou com força ao debate entre os torcedores e imprensa após a derrota para o São Paulo e o empate em 1×1 diante do Juventude, no jogo de ida da semifinal do Campeonato Gaúcho. Em meio aos resultados abaixo do esperado, parte da torcida passou a questionar a ausência do zagueiro na equipe.
Mas é importante deixar claro: a não utilização de Kannemann não passa por questão técnica ou idade. O argentino segue sendo um defensor competitivo, identificado com o clube e com histórico de decisões importantes. O ponto central está nas ideias de jogo implementadas por Luís Castro.
O treinador português tem um modelo muito específico: linha defensiva mais alta, saída de bola qualificada desde os zagueiros, construção curta sob pressão e maior mobilidade na recomposição. Dentro dessa proposta, o perfil priorizado não é apenas o do zagueiro combativo e de imposição física, mas também o do defensor com capacidade de acelerar o jogo com passes verticais, conduzir a bola e sustentar amplitude defensiva em campo aberto.
Kannemann construiu sua trajetória no Grêmio sendo referência em duelos, liderança e intensidade, características que continuam sendo valiosas. Porém, o encaixe em um sistema que exige mais participação na fase construtiva e maior exposição em campo alto pode não ser o ideal dentro da leitura estratégica da comissão técnica.
Portanto, a ausência não é sobre qualidade ou fim de ciclo, mas sobre compatibilidade de características com a proposta atual. Em momentos de instabilidade, é natural que a torcida recorra a nomes consolidados como solução imediata. Contudo, a decisão de utilizar ou não um atleta passa, sobretudo, pelo alinhamento com a identidade de jogo que o treinador deseja consolidar.
O debate é legítimo. Mas, neste caso, a questão parece ser muito mais conceitual do que técnica.
Foto: Lucas Uebel



