O recente episódio ocorrido em Minas Gerais, onde a comunhão foi condicionada a posições políticas, reacende um debate urgente e necessário no Brasil: quais são os limites entre fé e política? Até onde vai o papel do líder religioso e onde começa o abuso do espaço sagrado?
É preciso dizer com todas as letras: política no altar não. O altar é sagrado. O púlpito não é palanque. A Palavra de Deus não pode ser misturada com ideologias, partidos ou preferências eleitorais. Quando isso acontece, a fé deixa de apontar para o Céu e passa a servir a projetos de poder terrenos.
Jesus foi claro e direto ao afirmar:
“A minha casa será chamada casa de oração.” (Mateus 21:13)
O altar é lugar de arrependimento, cura, restauração, ensino da Palavra e encontro com Deus. Ali não se condiciona bênção, comunhão ou salvação a voto, partido ou ideologia. Usar o espaço sagrado para pressionar politicamente é ferir a consciência dos fiéis e dividir o Corpo de Cristo.
Por outro lado , e isso precisa ser enfatizado com responsabilidade , a fé não pode se omitir da política. O Brasil precisa, sim, de pastores, padres, bispos e líderes cristãos atuando como vereadores, deputados, senadores e gestores públicos. A política carece de homens e mulheres com temor a Deus, princípios sólidos, ética e compromisso com a verdade.
A igreja pode e deve indicar nomes, orientar seus membros, incentivar candidaturas que representem valores cristãos como a defesa da vida, da família, da justiça social e da dignidade humana. Isso é legítimo, necessário e saudável para a democracia.
O que não pode acontecer é a confusão dos papéis. O líder religioso pode ser político,a igreja pode apoiar e indicar, o cristão pode votar consciente, mas o altar continua sendo de Deus.
Quando o púlpito vira tribuna política, a igreja perde sua autoridade espiritual. Quando o altar vira arena ideológica, a unidade se rompe. A política precisa da fé , mas a fé não pode ser sequestrada pela política.
O bom senso é o equilíbrio:no templo, a Palavra;na política, a representação;em tudo, o temor a Deus.
O Brasil não precisa de igrejas militantes, mas de igrejas firmes. Não precisa de líderes religiosos submissos a partidos, mas de cristãos que governem com consciência, justiça e responsabilidade.
Respeitar o altar é proteger a fé, Ocupar a política é exercer cidadania , Misturar os dois é perder ambos.



