O Horizonte Tricolor: os fatores por trás da reação e a esperança de dias melhores no Grêmio

O futebol é imprevisível. Em poucos jogos, uma equipe pode sair de um cenário de crise e pressão para um ambiente mais tranquilo. Ainda não é possível falar em calmaria no Grêmio, mas o momento já é diferente daquele vivido no fim de julho e no início de agosto.

Depois da eliminação para o Bolívar, na Copa Sul-Americana, o clube atravessou dias de enorme cobrança. Agora, porém, alguns sinais começam a mudar o ambiente gremista e trazem ao torcedor a esperança de uma reta final de temporada melhor.

Na Copa do Brasil, o Grêmio eliminou o Mirassol e avançou às quartas de final. O adversário será o Internacional, em dois Gre-Nais que prometem mexer com os nervos das duas equipes.

O primeiro confronto acontecerá entre os dias 26 e 27 de agosto, enquanto a volta será disputada na Arena, entre os dias 2 e 3 de setembro.

No Brasileirão, o Tricolor também voltou a vencer. No último sábado, derrotou o São Paulo por 2 a 1, de virada, encerrando um jejum que durava desde 23 de maio.

Mais do que os resultados, entretanto, existe uma evolução no desempenho da equipe.

Uma melhora que começa a aparecer

Desde o retorno do futebol nacional, o Grêmio disputou sete partidas oficiais. Mesmo com a eliminação para o Bolívar, considero aceitável o desempenho apresentado nos últimos compromissos.

O retorno contra o Mirassol, pelo Brasileirão, foi muito ruim. Na altitude boliviana, diante do Bolívar, o time também esteve longe de uma boa atuação, principalmente pelas dificuldades impostas pelas condições da partida.

Depois disso, porém, houve evolução. Na partida de volta contra o Bolívar, mesmo com a derrota por 1 a 0 e a eliminação, o Grêmio teve uma atuação competitiva e criou oportunidades para buscar o resultado. Contra o Mirassol, nos dois confrontos pelas oitavas de final da Copa do Brasil, empatou na primeira partida e venceu a segunda, garantindo a classificação. Diante de Fluminense e São Paulo, pelo Brasileirão, também apresentou momentos positivos, mostrando mais organização e capacidade de competir.

Ainda não é um futebol de alto nível, mas a equipe passou a competir melhor.

Os retornos e os reforços

Na minha avaliação, essa mudança passa principalmente por alguns nomes. Os retornos de Marlon e Villasanti deram mais qualidade ao time. Ainda sem estarem 100% física e tecnicamente, os dois já aumentaram as opções de Luís Castro.

Marlon oferece amplitude pelo lado esquerdo e também participa da construção por dentro. Villasanti acrescenta mobilidade e intensidade ao meio-campo, além de ajudar a potencializar jogadores como Noriega e Nardoni.

O mercado de transferências também trouxe alternativas importantes. Diego Caito, Wallace, Filip Krovinovic e Jovane Cabral chegaram para aumentar a qualidade e a concorrência no elenco.

Até aqui, Diego Caito, Wallace e Jovane já estrearam. Diego assumiu a lateral direita e, mesmo sem ser um jogador extraordinário, deu ao Grêmio algo que faltava: um lateral de origem na posição, depois de um período com Pavón improvisado.

Wallace é outro que vem dando uma boa resposta. Contratado junto ao CRB, o zagueiro rapidamente conquistou espaço, demonstrando segurança, velocidade e bom tempo de bola.

Contra o São Paulo, marcou seu primeiro gol com a camisa tricolor e mostrou também personalidade e liderança.

Krovinovic ainda aguarda a regularização, enquanto Jovane Cabral busca espaço. São novas peças que podem ganhar importância na sequência.

O que esperar daqui para frente?

A melhora do Grêmio ainda é pequena e não permite criar expectativas exageradas. A eliminação para o Bolívar mostrou que os problemas continuam existindo.

Mas também seria errado ignorar os sinais positivos.

Com os retornos de Marlon e Villasanti, a chegada dos reforços e uma equipe mais organizada, o Grêmio começa a encontrar caminhos para apresentar um futebol mais competitivo.

E o próximo grande desafio será justamente contra o maior rival. Os dois Gre-Nais pelas quartas de final da Copa do Brasil terão enorme peso emocional e esportivo.

Como sempre deixei claro, não considero o Grêmio um elenco para sair campeão de tudo. Mas pode jogar mais. Pode competir mais. Pode entregar um futebol melhor.

Depois de semanas difíceis, o horizonte tricolor ainda não é de certezas. Mas já começa a apresentar sinais de melhoras.

Foto: Lucas Uebel/Grêmio

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Gustavo Guedes
Gustavo Guedeshttps://realnews.com.br/
Jornalista/cronista esportivo

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