Se você, caro leitor, separou noventa minutos do seu último sábado para assistir ao embate entre Athletico e Grêmio em Curitiba, eu lhe devo, no mínimo, um abraço de solidariedade. O que vimos na Arena da Baixada não foi futebol; foi um exercício de sadismo. Beirou o descaso, um deboche rasteiro com quem carregar o manto azul, preto e branco.
O Grêmio de hoje é um time anêmico, com um clima de fim de festa onde os convidados já nem fazem questão de esconder o bocejo. É uma monotonia arrastada, um time “acadelado” em terras paranaenses que transforma o otimismo em cinzas. O discurso da “reconstrução total” é lindo na teoria, mas para erguer um prédio não basta o projeto no papel; é preciso tijolo, cimento e, principalmente, braço que não trema. O que vimos foi uma ilusão mal arquitetada.
A escalação já veio com aquele cheiro de experimento de laboratório que deu errado: Balbuena com a braçadeira e o esquema de três zagueiros. Na prática? Um bando perdido. O Grêmio parecia um estranho diante da bola. Nem quando o destino ou a imprudência do Esquivel nos deu um homem a mais, o time soube o que fazer com o presente. O Grêmio com superioridade numérica é como um “herdeiro sem iniciativa” tem os recursos, mas não tem a menor ideia de como usá-los.
Entraram William, Tetê, Riquelme… nomes que deveriam trazer oxigênio, mas que acabaram sufocados pelo ritmo de enterro que dominava o gramado. O futebol foi de doer os olhos, uma falta de ambição que assusta quem conhece a história desse clube. Ver o Grêmio conformado com um nulo absoluto é ver a alma da instituição sendo corroída pela mediocridade.
Se não fosse Gustavo Martins salvando uma bola em cima da linha nos acréscimos, o que era um “zero a zero” melancólico teria se transformado em um vexame histórico. Saímos de campo com o ponto do conformismo e uma certeza amarga a reconstrução prometida ainda não passou de um rabisco borrado. O torcedor não merece o tédio. O Grêmio não pode ser esse vazio de ideias.







