Ora, pois, não é que a Doutrina Monroe 2.0 encontrou seu Escudo das Américas. Uma coalizão de países de extrema-direita e direita liderada por Trump, Rubio & Cia, aproveitando-se daquela típica submissão a um suserano estrangeiro pelas ultrapassadas repúblicas de bananas latino-americanas. Esse colonialismo híbrido já é bem conhecido por nós, latino-americanos, desde o tempo das ditaduras militares impostas por interesses da potência do norte.
A intenção é clara, por parte dos Estados Unidos: apropriar-se das riquezas minerais dos países latinos, diminuir a influência chinesa na região e ter o domínio geopolítico de todo o continente. A justificativa é de combater o narcotráfico. A denominação das facções de narcotraficantes como terroristas dão aos EUA a liberdade de ação e de interferência na nossa soberania. Porém, não me parece que o tráfico tenha diminuído e nem o consumo de drogas nos EUA depois que o Drug Enforcement Administration – DEA, órgão do governo norte-americano, ter atuado por anos no combate às drogas na América Latina.
O Brasil é um alvo em potencial nessa ofensiva estadunidense sobre a América Latina. Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos, somos o maior produtor mundial de nióbio, com 93% da produção global em 2024, o terceiro maior produtor de grafite e o sexto de lítio. Também temos reservas importantes das cobiçadas terras raras. Além disso, somos um país latino com empresas nacionais em condições de concorrer com empresas norte-americanas, principalmente no agronegócio, aço, indústria aeroespacial e biocombustíveis. Somos, também, um dos membros mais importantes do BRICS, junto com Rússia, Índia, China e África do Sul. Entidade criada a favor de uma multipolaridade global, em detrimento da hegemonia dos EUA.
O líder e seus vassalos dos 19 países integrantes do Escudo das Américas divulgaram, durante a Assembléia Geral da ONU, a “Declaração Conjunta sobre a Defesa da Soberania (rs) Hemisférica”, com o seguinte teor:
“Defender nossas economias, ampliando a cooperação econômica; estudando mecanismos de análise de investimentos; protegendo as cadeias de suprimento de minerais críticos por meio de fontes diversificadas e confiáveis; e promovendo regulamentações para fornecedores confiáveis de infraestrutura digital, aplicadas de maneira não discriminatória.”
Na tribuna da ONU, Trump afirmou que, se necessário, os Estados Unidos usarão seu “poderio militar sem igual” para proteger seus “interesses nacionais vitais”. Os traidores de pátrias aplaudiram essa sinopse de um roteiro de neocolonialismo e uso de força militar.
A verdade é que influência dos EUA, mundo à fora, diminui acentuadamente com a concorrência chinesa, as guerras forjadas e perdidas, e as vergonhosas demonstrações de poder de seu presidente. Os governos populares da direita latino-americana talvez sejam o último refúgio de um império em franca decadência.





