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O dia em que comecei a entender meu avô — e o charme eterno do Gauchão

Começo a entender meu avô.

Saudosista, defensor do Gauchão, alguém que se recusava a assistir a uma partida de Champions League, mas era absolutamente incapaz de sair da frente da tv diante de um Ypiranga x São José.

Estive no Passo d’Areia, no estádio do Zequinha, e também no Colosso da Lagoa, para ver o Internacional jogar pelo Gauchão. Mas não foi só isso. Foi mergulhar na cultura do Gauchão. E confesso: começo, de verdade, a entender meu avô.

Não sei se são os estádios sem aqueles anéis superiores que parecem afastar o jogo do torcedor. Ou se são as torcidas apaixonadas por seus clubes simplesmente porque aquele time faz parte da vida delas desde a infância. Uma paixão passada de pai para filho, de pai para filha, de mãe para os filhos. Algo que é, antes de tudo, família.

Entre uma entrevista e outra, conversei com um torcedor mirim do Ypiranga. Apaixonado pelo seu time — desde 2022, fez questão de dizer. Ele só queria uma coisa naquela noite: ver uma vitória. No fim, ele viu. E saiu com um sorriso que não cabia no rosto.

Eu, com meus quase 27 anos, mesmo tendo viajado mais de 400 quilômetros para ver o Internacional, fiquei feliz por aquele garoto. Porque ali estava o sentido de tudo. O começo de uma história que talvez, daqui a algumas décadas, faça ele também se recusar a ver uma Champions League, mas parar tudo para assistir a um jogo do Gauchão.

Talvez sejam os detalhes que expliquem esse charme. O estádio simples, a torcida próxima do campo, a paixão que não precisa de títulos europeus para existir. Talvez seja o peru na arquibancada — sim, tinha um peru na arquibancada. Fato incontestável.

O fato é que o Gauchão tem seu charme. Um charme que um Arsenal x Atlético de Madrid, pela fase de liga da Champions League, jamais vai alcançar.

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