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Novela das 19h da Globo emociona ao unir drama social e final feliz

Exibida no horário das 19h, a novela Dona de Mim, da TV Globo, chamou a atenção do público ao entregar, desde o primeiro capítulo até o desfecho, uma narrativa intensa, marcada por dor, superação e recomeços. Conhecida por retratar situações próximas da vida real — o que nem sempre agrada a todos —, desta vez a emissora acertou ao equilibrar temas delicados com uma história sensível e esperançosa.

A trama acompanha Leona Larissa, personagem que carrega um profundo trauma após perder a filha aos cinco meses de gestação. A dor foi tão intensa que a levou a desenvolver uma depressão severa, desistir do casamento e nutrir um forte ressentimento em relação a crianças. Órfã dos pais, Leona vive com a avó e a irmã, enfrentando dificuldades financeiras enquanto tenta sobreviver como revendedora da fábrica de calcinhas Boaz, um negócio que não vinha dando certo.

Em meio ao desespero, a irmã de Leona, escondida, envia um currículo para trabalhar como babá da pequena Sophia Boaz. Ao descobrir, Leona decide assumir a vaga no lugar dela, determinada a não permitir que a irmã abandone o sonho de se formar em Enfermagem — assim como ela própria havia desistido da faculdade de Marketing.

A relação entre Leona e a criança começa turbulenta. Sophia é apresentada como uma menina difícil, mas a conexão entre as duas se transforma quando Leona descobre que a criança tem o mesmo nome da filha que perdeu. A partir daí, nasce um vínculo profundo e protetor, que se torna um dos pilares emocionais da novela.

A história da pequena Sophia também ganha destaque. Sua mãe biológica salvou a vida do diretor da Boaz no passado e, agora, gravemente doente, recebe dele uma forma de retribuição — tudo isso em meio ao casamento do empresário, criando conflitos morais e emocionais.

Ao longo da trama, Leona passa por diversas reviravoltas, sempre colocando a proteção da criança acima de tudo. Seu crescimento pessoal culmina na conclusão da faculdade de Marketing e na conquista de um lugar como sócia da Boaz, simbolizando sua reconstrução como mulher e profissional.

Entre os personagens secundários que se destacam está Marlon, ex-noivo de Leona. Determinado a realizar o sonho de ser policial, ele enfrenta ambientes corruptos, denuncia colegas mal-intencionados e, ao final, encontra uma parceira — profissional e afetiva — com quem constrói uma trajetória honesta.

Outro destaque é Felipa, madrasta de Sophia. Após falhar na criação da própria filha biológica, que vai morar em Portugal, ela tenta exercer a maternidade novamente, mas enfrenta dificuldades. No decorrer da novela, o público descobre que Felipa convive com Transtorno Bipolar tipo 2, com episódios de hipomania e mania, o que ajuda a contextualizar seus conflitos e atitudes.

Já Kamila surge inicialmente como uma personagem antipática, mas sua trajetória ganha profundidade após sofrer um estupro. A partir desse trauma, a novela acompanha seu processo de dor, enfrentamento e reconstrução, inclusive com a libertação do pai de seu filho e o apoio recebido para seguir em frente.

Com uma narrativa sensível, Dona de Mim mostrou que é possível abordar temas como luto, saúde mental, violência e recomeços sem perder a leveza característica do horário. Mais do que entretenimento, a novela deixou lições sobre empatia, resiliência e a complexidade da vida.

“Obrigada, Dona de Mim, por ensinar tanto sobre a vida”, resume o sentimento de muitos telespectadores.

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Leilane Beck
Leilane Beckhttp://pensereal.com
Jornalista independente, baseada em evidências, múltiplas fontes e contexto histórico.
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