No futebol, existem tipos de derrotas — perder sem competir é uma delas

Nunca é bom perder, mas existem derrotas que machucam mais do que outras. Uma derrota em uma final ou em uma fase decisiva pode ficar marcada para sempre na memória do torcedor. A diferença, porém, está na forma como se perde: competindo ou de maneira apática, sem reação e sem indignação.

Foi justamente isso que vimos na derrota do Grêmio por 3 a 0 para o Atlético-MG, na Arena MRV. O Tricolor foi dominado durante praticamente toda a partida e terminou o primeiro tempo sem sequer finalizar na direção do gol. Depois de uma sequência de jogos aceitáveis, a atuação foi uma ducha de água fria e um choque de realidade.

O mais preocupante é que o Grêmio praticamente não conseguiu competir. Nos primeiros minutos do segundo tempo, houve uma tentativa de reação, mas ela durou pouco. Logo depois, o Atlético-MG marcou novamente e acabou com qualquer possibilidade de mudança no cenário.

Luís Castro também voltou a repetir escolhas que já demonstraram problemas. Sem Marlon e Villasanti, Pedro Gabriel teve dificuldades na lateral-esquerda diante do ataque atleticano, principalmente com Cuello. No meio-campo, o treinador manteve Noriega e Nardoni e colocou Dodi ao lado dos dois.

A formação com três volantes não é necessariamente o problema. A questão está nas características dos jogadores. Dodi e Noriega juntos não funcionam. Ambos têm características semelhantes, ocupam a mesma faixa do campo e não oferecem a qualidade necessária para organizar a saída de bola. Isso já havia ficado evidente em outras partidas e voltou a acontecer contra o Atlético-MG.

Não se trata de dizer que o Grêmio é dependente de Villasanti. O ponto é encontrar alternativas quando o paraguaio não estiver disponível. Com Krovinovic, existe agora uma opção para melhorar a criação e a circulação por dentro. O treinador precisa ter coragem para buscar soluções diferentes em vez de insistir em uma fórmula que já apresentou limitações.

Gabriel Mec também entra nessa discussão. O jovem, que vinha sem atuar, foi colocado em campo apenas quando o Grêmio já perdia por 2 a 0 e estava completamente desorganizado. Fica a pergunta: se ele não serve para começar, por que colocá-lo justamente quando o cenário é mais complicado?

Na minha última coluna, falei sobre o “Horizonte Tricolor” e destaquei pequenos sinais de evolução do Grêmio, principalmente na competitividade apresentada em algumas partidas. O time ainda estava longe de ser uma equipe pronta, mas havia motivos para acreditar que alguns caminhos começavam a aparecer.

A atuação contra o Atlético-MG, porém, interrompe esse sentimento e mostra que a instabilidade continua sendo o grande problema da equipe.

A eliminação para o Bolívar, por exemplo, foi dolorosa, mas naquele jogo o Grêmio competiu, lutou e tentou reagir. Faltou qualidade para buscar a classificação, mas existiu entrega. Contra o Atlético-MG, não vimos isso.

E é justamente essa a diferença.

Perder faz parte do futebol. Perder sem lutar é muito mais difícil de aceitar.

A pergunta que fica é: qual é, afinal, a verdadeira identidade deste Grêmio? Na rodada anterior, um time que buscou a virada contra o São Paulo. Nesta, uma equipe sem força, sem reação e sem alma.

O torcedor não exige que o Grêmio vença todos os jogos. Exige, no mínimo, que a equipe entre em campo disposta a competir. E a derrota para o Atlético-MG, pela maneira como aconteceu, é uma das mais difíceis de digerir.

Foto: Fernando Moreno/AGIF

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Gustavo Guedes
Gustavo Guedeshttps://realnews.com.br/
Jornalista/cronista esportivo

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