Narrativas falsas exploram a dor da Boate Kiss e levantam alerta sobre desinformação

No ano passado, passaram a circular nas redes sociais narrativas consideradas absurdas sobre a tragédia da Boate Kiss, divulgadas por um influenciador digital que, segundo relatos, vem utilizando a dor das vítimas e sobreviventes para gerar engajamento. As histórias, sem comprovação, ganharam ampla repercussão e despertaram questionamentos sobre a veracidade das informações apresentadas.

Ao tentar aprofundar a apuração, houve a iniciativa de entrevistar pessoas que sobreviveram por pouco ao incêndio. No entanto, o influenciador se recusou a fornecer contatos ou sequer consultar os supostos sobreviventes sobre a possibilidade de conceder entrevistas, o que levantou ainda mais dúvidas sobre a origem dos relatos.

Um dos vídeos mais compartilhados narra a história de uma jovem que, segundo o influenciador, não teria sequer entrado na Boate Kiss. A versão afirma que ela teria entrado em um táxi, onde o motorista lhe disse: “Você fez certo, ainda tem muito a viver”. O detalhe central da narrativa é que o taxista teria o nome de um dos “anjos de Deus”. Ao final, o influenciador relata que a jovem teria ligado posteriormente para o ponto de táxi para agradecê-lo, mas foi informada de que não existia nenhum motorista com aquele nome.

Outra história divulgada pelo mesmo influenciador fala de uma mulher que, supostamente, orientava jovens a irem para o banheiro durante o incêndio. No entanto, conforme registros amplamente conhecidos sobre a tragédia, nenhuma pessoa que buscou refúgio nos banheiros sobreviveu, o que torna a narrativa incompatível com os fatos documentados.

Diante dessas versões, foi feito contato com André Polga, integrante do Coletivo da Boate Kiss, que acompanha há anos os relatos relacionados ao caso. Segundo ele, as histórias são conhecidas, mas classificadas como falsas, uma vez que as pessoas mencionadas nunca procuraram o Coletivo nem apresentaram qualquer registro, testemunho formal ou validação dos fatos narrados.

A partir desse contexto, o Coletivo encaminhou a seguinte nota oficial para esclarecer sua posição sobre a disseminação de boatos e informações não comprovadas relacionadas à tragédia.

A verdade acima do sensacionalismo: a posição do Coletivo da Kiss

A equipe do Coletivo da tragédia da Boate Kiss relata que, desde os primeiros dias após o incêndio, diversas narrativas não comprovadas passaram a circular nas redes sociais, impulsionadas sobretudo pelo clima de comoção coletiva. Diante desse cenário, o grupo reforça que jamais endossou ou repercutiu histórias sem comprovação factual, registros oficiais ou testemunhos considerados válidos.

Segundo o Coletivo, essa postura é uma decisão ética e necessária, pautada pelo respeito às vítimas e aos familiares. Ainda assim, sempre que possível, o grupo afirma vir a público para desmentir boatos, geralmente por meio de stories e notas oficiais.

Os integrantes informam que recebem diariamente um grande volume de conteúdos, incluindo publicações em podcasts e postagens de caráter sensacionalista. Dentro das possibilidades, procuram esclarecer o que é verdadeiro e o que não é, embora reconheçam que a quantidade de informações, pessoas envolvidas e materiais em circulação torna esse trabalho complexo e permanente.

De acordo com a nota, a linha adotada pelo Coletivo é priorizar fatos documentados e contextos verificáveis, com critérios claros para a divulgação de informações. “Nosso compromisso é com a verdade possível, baseada em dados, registros e apuração responsável”, afirma o grupo.

Aqui tem todas as informações verdadeiras sobre a tragédia da Boate Kiss: https://linktr.ee/kissquenaoserepita

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Leilane Beck
Leilane Beckhttp://pensereal.com
Jornalista independente, baseada em evidências, múltiplas fontes e contexto histórico.
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