A tarde estava agradável em Porto Alegre. Mal podia eu imaginar que, ao cair da noite, o torcedor veria um Grêmio, mais uma vez, apático, sofrido e sejamos sinceros muito ruim. Cerca de 42 mil pessoas compareceram à nossa grandiosa Arena. De todos os cantos: gente do interior, gente vindo de fora do Estado, crianças vivendo a emoção de seu primeiro jogo, torcedores retornando após tanto tempo. Todos unidos por uma única esperança: ver uma vitória antes da parada para a Copa do Mundo.
Da cabine, minha visão era privilegiada. O Mar Azul, a festa, a música… Eu confesso que me emocionei ao ver um torcedor, visivelmente do interior, fotografando nossa posição com um sorriso no rosto. Acenei para ele, sentindo aquela energia pura de quem acredita que, desta vez, tudo seria diferente. Que as coisas iriam se ajeitar.
Quisera eu ser o mensageiro de boas notícias. Escrever sobre uma linda vitória. Mas não. Hoje, não venho aqui apenas para reclamar, venho para suplicar por um Grêmio melhor.
O Tricolor abriu o placar com Gabriel Mec, fazendo 40 mil vozes gritarem alto. O Corinthians, com seus dois mil torcedores, também fez sua parte, exibindo um toque de bola envolvente, abastecendo Yuri Alberto e fazendo a parede. E o Grêmio? Após o gol, optou por se recuar, chamando o adversário para cima. Como dizia minha avó “Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. O Corinthians não perdoou e, ainda no final do primeiro tempo, o Grêmio já parecia estar na lona.
A tal “reconstrução”, tão vendida para o torcedor e tão pouco vista na prática, é um processo que sabemos ser longo. Ninguém espera títulos de expressão no primeiro ano de reconstrução e aqui não falo do nosso “charmoso Gauchão”, que respeito imensamente. Falo de um clube do tamanho do Grêmio, campeão da América e do Mundo, que precisa sonhar alto. É vergonhoso para a nossa história que, no quesito Brasileirão, tenhamos mais rebaixamentos do que títulos.
Luiz Castro, o treinador contratado para trazer essa “nova visão”, voltou para o segundo tempo sem saber o que fazer. O time, perdido, viu a virada e a ampliação do placar pelo Corinthians. Aquela tarde de sol, cerveja e festa terminou em um sábado frio, cheio de incertezas e com um único grito entalado na garganta: Queremos mudança. Mas como mudar se não há mudança?
A coletiva de Luiz Castro não foi apenas vergonhosa; foi triste, tanto pelo clube quanto pelo profissional que ele é. E o pronunciamento do vice-presidente Dutra foi melancólico. Quando questionado por um colega repórter sobre a atuação da atual direção em 2026, Dutra respondeu, de forma esquiva, que “quem faz a avaliação é a imprensa”. Pois bem, Dutra, eu entendo que a gestão passada deixou um cenário difícil, mas o que vocês estão fazendo hoje é algo de causar vergonha.
Jamais terei vergonha do Grêmio. Eu carrego este clube no peito e na alma, eternamente. Mas, mais uma vez, envergonho-me da situação em que colocaram a nossa instituição. O torcedor não merece menos do que a verdade e, acima de tudo, o respeito.






