O empate em 1 a 1 contra o Mirassol, pelo jogo de ida das oitavas da Copa do Brasil, foi apenas mais um sintoma de uma doença que consome o Grêmio de dentro para fora. O resultado em si mantém a decisão aberta para a Arena, mas a atuação em si, arrastada, sem ideias e melancólica, escancara uma realidade que a diretoria tenta mascarar o tricolor hoje vive em um verdadeiro “Fantástico Mundo de Bobby”.
É impossível não começar questionando, mais uma vez, o trabalho de Luís Castro. A insistência em um modelo de jogo que claramente não encaixa com as peças que ele tem em mãos beira a teimosia. O Grêmio não joga absolutamente nada. Falta intensidade, falta repertório tático e sobra passividade. O treinador português tem, sim, uma parcela imensa de culpa pelo futebol pobre apresentado em campo, e sua demissão ou permanência já deveria ter deixado de ser um tabu. Não faz o menor sentido o Grêmio seguir abraçado a um projeto que simplesmente não está dando certo. Até quando vamos esperar a engrenagem girar se ela já está com as peças fundidas?
Porém, apontar o dedo apenas para a casamata é aliviar o peso de quem realmente comanda o desastre. O Grêmio virou refém da sua própria vaidade. Uma vaidade inflada que ecoa diretamente do gabinete tricolor e das salas carpetadas de seus diretores. Há uma soberba institucional que impede o clube de enxergar o óbvio.
Desde janeiro, o que assistimos é uma sucessão de erros infantis em todas as esferas da Arena. O planejamento do futebol parece ter sido feito por amadores, a montagem do elenco ignora as carências visíveis do time e a comunicação com a torcida tenta vender uma estabilidade que só existe na cabeça dos dirigentes.
O reflexo disso é um presidente avulso, que parece assistir ao declínio do clube na mesma condição de um torcedor comum, desprovido de comando. A impressão que dá é que, hoje, o Grêmio tem muito mais palpites de como gerir o clube nos bastidores do que uma gestão de respeito, firme e profissional. Sobram egos e falta futebol.
São sete partidas seguidas sem vencer. O sinal de alerta não está apenas ligado; ele já está ensurdecedor. Se a cúpula tricolor não descer do salto, abandonar a vaidade e encarar a realidade de frente, o ano de 2026 terminará muito antes do que imaginamos. É hora de acordar antes que o “Mundo de Bobby” desabe de vez.





